Publicado 27 de Agosto de 2020 - 7h46

Por Maria Teresa Costa

O aumento da testagem permite o isolamento dos contactantes e o tratamento antecipado, fatores que ajudam a reduzir a ocupação das UTIs

Leandro Ferreira/AAN

O aumento da testagem permite o isolamento dos contactantes e o tratamento antecipado, fatores que ajudam a reduzir a ocupação das UTIs

A região de saúde de Campinas registra a menor taxa de ocupação de leitos de UTI desde 3 de junho, quando ocorreu a primeira atualização do Plano São Paulo de retomada das atividades. As 42 cidades da área chegaram ontem a 59,3% de leitos ocupados, com uma queda de 12,8% na média diária de novas internações em sete dias, na comparação com a semana anterior. A região chegou a 82.530 casos confirmados e 2.619 mortes, com uma queda de 31,2% de novos registros e de 14,8% em novos óbitos na variação semanal.

Quando teve início a primeira classificação, a região de Campinas estava com taxa de 67,1% e foi classificada na fase laranja. Desde então, a ocupação de leitos vem variando. Em 8 de agosto, quando ingressou na fase amarela, de maior flexibilização, a taxa estava em 64,7% e, desde então, vem registrando quedas diárias.

No Estado de São Paulo, a taxa de ocupação estava ontem em 54,9%. A redução de internações de doentes graves por Covid-19 tem relação direta com a ampliação da capacidade de identificação precoce de infectados pelo novo coronavírus, segundo o médico Márcio Biscaia.

O aumento de testagem, disse, previne que os casos sejam identificados antes do surgimento dos sintomas, que as pessoas sejam isoladas, que seus contactantes também sejam identificados precocemente e isolados. "Isso permite o acompanhamento, o tratamento já no início dos sintomas e, com isso, as chances de agravamento dos casos de Covid-19 diminuem", afirmou.

Além da testagem, a ampliação de leitos em todo o Estado permitiu queda nas taxas. O governador João Doria (PSDB) informou ontem, durante balanço das ações adotadas desde o registro do primeiro caso de coronavírus no Brasil (e que ocorreu em São Paulo), que houve um aumento de 3,5 mil leitos para 8.160 em seis meses.

Nesse período, informou, foi quintuplicada a capacidade de testagem, que hoje está em 84 testes por 100 mil habitantes, atingindo padrão internacional e semelhante, segundo ele, à Alemanha, que é o país que mais testa.

A queda nas internações de doentes graves da Covid-9 está ocorrendo em Campinas, enquanto aumenta a pressão de internações de pessoas com outros tipos de doença. Nesta semana, o secretário municipal de Saúde, Carmino de Souza, avaliou que há leitos vazios para pacientes infectados pelo novo coronavírus, mas que precisam ficar disponíveis por causa do Plano SP, que exige uma quantidade mínima para a reclassificação nas fases do plano. Se reduzir os leitos, aumenta a taxa de ocupação, que pode levar a uma regressão de fase.

O prefeito Jonas Donizette (PSDB) informou que os prefeitos paulistas vêm conversando com o governo do Estado para flexibilizar as exigências mínimas de leitos. Uma regressão de fase, disse, prejudicará o comércio e a manutenção dos leitos de Covid-19 vagos prejudica o atendimento de doentes com outras patologias que necessitam de tratamento intensivo.

Campinas contava ontem com um índice de ocupação de leitos de UTI para pacientes com Covid-19 nas redes pública e particular de 76,39%. De um total de 377 leitos disponíveis, 288 estavam ocupados. Somando-se as duas redes, havia 89 leitos livres.

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Maria Teresa Costa