Publicado 28 de Agosto de 2020 - 15h52

Por AFP

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou do cargo o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por suspeitas de corrupção na área da Saúde em plena pandemia de coronavírus - informou a Procuradoria-Geral nesta sexta-feira (28).

Witzel, de 52 anos, rejeitou as acusações, prometeu lutar para reverter a decisão e denunciou uma "perseguição" política, mencionando os seus embates com o presidente Jair Bolsonaro, de quem era aliado.

O desligamento do cargo, por um período mínimo de seis meses, ocorreu por determinação do STJ, que proibiu Witzel de acessar os gabinetes e áreas internas do governo, embora possa continuar morando no Palácio das Laranjeiras, residência oficial dos governadores no Rio, enquanto o caso segue na Justiça.

"O grupo criminoso [formado por membros do governo do Rio e empresário] agiu e continua agindo, desviando e lavando recursos em plena pandemia da Covid-19", afirmou o ministro do STJ, Benedito Gonçalves.

Gonçalves também determinou dezenas de ordens de busca e apreensão com impressionante mobilização policial, inclusive no Palácio das Laranjeiras, sobrevoado por helicópteros.

Witzel será substituído interinamente pelo vice-governador, Cláudio Castro.

A Justiça também emitiu mandados de prisão a vários empresários e ao pastor Everaldo, líder evangélico que preside o Partido Social Cristão (PSC), sigla à qual Witzel pertence.

A primeira-dama, Helena Witzel, também foi denunciada, após a identificação de pagamentos ao seu escritório de advocacia realizados por empresários envolvidos nos esquema.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Witzel criou desde sua chegada ao cargo, em janeiro de 2019, um "caixa dois" para receber propinas de empresas na atribuição de licitações.

Entre os casos investigados, figura a gestão dos hospitais de campanha previstos para pacientes afetados pela Covid-19, assim como a compra irregular de respiradores e medicamentos.

Dos sete hospitais planejados, apenas dois saíram do papel.

A polícia já havia estado no Palácio de Laranjeiras em 26 de maio por suspeita de fraude no plano de combate à pandemia, e duas semanas depois a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) abriu processo de impeachment contra o governador.

Em nota à imprensa, Witzel afirmou que está sendo "massacrado politicamente" em nome de "interesses poderosos".

"Vamos tomar as providências necessárias junto ao STJ e STF para que rapidamente seja revertido esse afastamento", disse em pronunciamento.

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