Publicado 28 de Agosto de 2020 - 15h03

Por AFP

Um iraniano foi condenado a nove anos de prisão por decapitar sua filha de 14 anos enquanto ela dormia, disse a mãe do adolescente a uma agência de notícias iraniana nesta sexta-feira. Ela pediu pena de morte para seu marido.

O assassinato de Romina Ashrafi em maio gerou uma grande polêmica no Irã, onde a mídia considerou que esse feminicídio e infanticídio refletiam a "violência institucional" de uma República Islâmica "patriarcal".

Segundo a imprensa iraniana, Romina foi morta enquanto dormia, no dia 21 de maio, pelo pai, que a decapitou depois que ela voltou para a casa de sua família em Talesh, na província de Guilan (norte).

"Embora as autoridades judiciais tenham enfatizado o "tratamento especial" dado a este caso, a decisão do tribunal horrorizou a mim e a minha família", disse Rana Dashti, mãe da adolescente, em declarações à agência Ilna.

"Quero que meu marido nunca mais volte para nossa cidade", acrescentou a mãe, que pediu que a sentença fosse revista e ele fosse condenado à morte.

Após 15 anos de vida familiar com o marido, Dashti agora teme que seu único filho vivo esteja em perigo.

O código penal iraniano, segundo Ilna, não prevê a pena de morte para o pai que comete infanticídio e pune esse crime com multas e penas de prisão.

Apaixonada por um homem quinze anos mais velho que ela, a adolescente fugiu da casa dos pais depois que eles a impediram de se casar com o namorado, mas ela foi encontrarada depois que seu pai a denunciou.

O namorado da adolescente, Bahman Kharavi, foi condenado a dois anos de prisão, segundo a mãe, que não deu detalhes sobre os motivos da sentença.

A jovem assassinada, segundo a imprensa iraniana, havia declarado aos juízes que não queria voltar para a casa de seus pais quando a prenderam, dizendo temer por sua vida.

A lei iraniana estabelece a idade mínima de 13 anos para uma mulher se casar.

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