Publicado 28 de Agosto de 2020 - 10h23

Por AFP

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) ordenou o afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por suposto envolvimento em esquemas de corrupção na área da Saúde em plena pandemia de coronavírus - informou a Procuradoria-Geral nesta sexta-feira (28).

A medida, de efeito imediato, determina o afastamento de pelo menos seis meses, enquanto sua situação judicial é resolvida.

Os advogados de Witzel disseram estar "surpresos" com a ordem emitida de forma "unilateral" por um juiz do STJ e anunciaram que responderão adotando "todas as medidas pertinentes".

Nas primeiras horas do dia, uma operação policial em grande escala foi realizada no Palácio das Laranjeiras, sede do governo do Rio, com dois helicópteros que sobrevoavam o local, informou um repórter da AFP.

O STJ emitiu igualmente dezenas de mandados de busca e apreensão, assim como alguns mandados de prisão, como no caso do Pastor Everaldo, líder evangélico que preside o Partido Social Cristão (PSC), sigla à qual Witzel pertence.

Segundo a Procuradoria-Geral, Witzel criou desde sua chegada ao cargo em janeiro de 2019 um "caixa dois" para receber subornos de empresas na atribuição de licitações. Entre os casos investigados, figura a gestão dos hospitais de campanha previstos para pacientes afetados pela covid-19.

A polícia já havia cumprido um mandado de busca e apreensão no Palácio das Laranjeiras, em 26 de maio, por suspeitas de fraudes no combate ao coronavírus e, duas semanas depois, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) abriu um processo de impeachment contra o governador.

Witzel, de 52 anos, foi um aliado de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, mas depois se tornou um de seus opositores mais fortes, divergindo quanto às medidas de isolamento adotadas para conter o avanço da covid-19. O presidente é um duro crítico do confinamento adotado por conta da pandemia, em função de seu impacto na economia.

Com Witzel, cinco dos seis governadores do Rio de Janeiro em exercício desde 1998 tiveram problemas com a Justiça, e quatro deles foram presos em algum momento.

Anthony Garotinho (1999-2002) e sua esposa, Rosinha Matheus (2003-2007), foram para a prisão por crimes eleitorais, que eles negam.

Sérgio Cabral (2007-2014) está preso desde 2016, acusado de receber subornos em troca de obras públicas, incluindo as de reforma do estádio do Maracanã para a Copa de 2014.

Seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, foi preso em novembro de 2018, acusado de receber subornos milionários ligados ao esquema de corrupção da Lava Jato.

js/mel/yow/aa/tt

Escrito por:

AFP