Publicado 28 de Agosto de 2020 - 10h02

Por AFP

A Justiça alemã ordenou, nesta sexta-feira (28), a internação psiquiátrica prolongada de um eritreu que matou um garoto, jogando-o nos trilhos de um trem, ao considerar o réu criminalmente inocente de seus atos - um caso que chocou o país.

Os juízes do tribunal de Frankfurt seguiram as recomendações da Promotoria, da defesa e das partes civis que pediram a detenção prolongada de Habte Araya em um hospital psiquiátrico em regime fechado.

Em sua sentença, os juízes estimaram que Araya, de 41 anos, que comparece ao tribunal desde 19 de agosto, realmente cometeu um assassinato e uma tentativa de homicídio.

Um especialista psiquiátrico avaliou que o réu, casado, com três filhos e que mora na Suíça há 14 anos, representa um perigo. Ele também considerou que havia uma "alta probabilidade" de reincidência, incluindo o risco de novos homicídios.

Na manhã de 29 de julho de 2019, Habte Araya jogou Leo, de oito anos, e sua mãe, de 40, nos trilhos, quando um trem entrava na estação de Frankfurt. O menino morreu na hora, e a mãe escapou por pouco. Ela foi levada para o hospital, ferida e em estado de choque.

Araya também tentou empurrar outra pessoa, de 78 anos, para a estrada, mas essa pessoa conseguiu impedi-lo a tempo.

"Atacou pessoas que eram completamente desconhecidas para ele", explica o especialista psiquiátrico, que diagnosticou uma "esquizofrenia paranoide" aguda.

O risco de reincidência "pode ser impedido apenas com tratamento (em um centro) psiquiátrico fechado e sob alta segurança", continuou o especialista.

No primeiro dia do julgamento, o eritreu manifestou seu pesar, em uma declaração escrita lida por seu advogado: "Sinto muito, especialmente pela família".

"Estava muito doente", explicou.

O eritreu chegou de trem a Frankfurt, procedente da Basileia, na Suíça, e se escondeu atrás de um pilar dessa grande e movimentada estação de trem. O fluxo de passageiros aumenta especialmente no verão.

Alguns transeuntes conseguiram contê-lo, quando tentava fugir.

O caso causou grande comoção na Alemanha. O ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, classificou o episódio como um crime "espantoso" e prometeu aumentar a segurança nas estações de trem, assim como ampliar a vigilância por vídeo.

As autoridades suíças procuravam este homem após agressões cometidas quatro dias antes neste país, no qual vive desde 2006, no cantão de Zurique.

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