Publicado 28 de Agosto de 2020 - 9h53

Por AFP

O uso de máscara se tornou obrigatório em toda Paris nesta sexta-feira (28), a medida mais recente do governo francês para tentar controlar o preocupante avanço da pandemia, que, nas palavras da chanceler alemã, Angela Merkel, reserva meses ainda "mais difíceis" com a chegada do outono na Europa.

Desde seu surgimento na China em dezembro, o vírus já matou 832.336 pessoas e mais de 24,5 milhões foram infectadas, aponta um balanço da AFP com base em dados oficiais.

Os Estados Unidos registram 180.527 mortes e 5.860.397 casos confirmados, o país mais afetado pelo coronavírus. Em plena campanha para a reeleição, o presidente Donald Trump prometeu derrotar a covid-19 com uma vacina ainda "este ano".

"Derrotaremos o vírus, acabaremos com a pandemia e sairemos mais fortes que nunca", afirmou Trump na quinta-feira, em discurso na Convenção Nacional Republicana, durante o qual enalteceu sua gestão da crise, apesar de o país ter registrado 931 mortes pelo vírus nas últimas 24 horas, atrás apenas da Índia (1.057 mortos) e do Brasil (984).

Após uma curta trégua na Europa, os novos focos nas últimas semanas forçaram vários países a intensificar suas restrições.

A França, por exemplo, registrou na quinta-feira mais de 6.000 contágios em 24 horas, um recorde.

"A epidemia está voltando a avançar em todo país", advertiu na quinta-feira o primeiro-ministro francês, Jean Castex, que declarou obrigatório o uso de máscara em toda Paris e seus subúrbios.

O uso já era obrigatório nos transportes público, locais fechados e ruas mais movimentadas, sob pena de 135 euros (US$ 159) de multa. A partir desta sexta, porém, a máscara deve ser utilizada em toda cidade.

A pedido da prefeitura, os ciclistas e as pessoas que correm ao ar livre estão isentas da máscara.

Vinte e um departamentos franceses estão na "zona vermelha", incluindo os Alpes Marítimos (sudeste), onde acontecerão as duas primeiras etapas da Volta da França, que começa no sábado.

A largada em Nice acontecerá praticamente sem público e, ao longo do percurso, o uso de máscaras será obrigatório.

Considerada um modelo no controle da pandemia, a Alemanha também intensificou as restrições e aumentou as multas para os infratores.

Embora a propagação do vírus no país continue menor do que durante a primavera (outono no Brasil), Berlim apontou que "o número de infecções voltou a aumentar", em particular com a importação de novos casos provocados pelo retorno das férias.

"Vamos ter que viver com este vírus durante muito tempo ainda (...) A situação continua sendo grave. Levem-na a sério", advertiu a chanceler Angela Merkel, em entrevista coletiva.

Nela, Merkel destacou que se gozou de uma "liberdade e proteção relativas" no verão (europeu), graças ao bom tempo, mas que "algumas coisas vão ser mais difíceis nos próximos meses".

O país, que registrou 1.500 novos casos em 24 horas, também ampliará até o fim do ano a proibição de reuniões ao ar livre com mais de 50 pessoas, com uma possível exceção para as partidas de futebol.

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