Publicado 28 de Agosto de 2020 - 7h53

Por AFP

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, revelou nesta sexta-feira (28) a intenção de renunciar por problemas de saúde, um anúncio que abala a política nacional, sem um sucessor claro para o homem que governa o país desde 2012.

"Decidi renunciar do cargo de primeiro-ministro", afirmou Abe, de 65 anos, em uma entrevista coletiva, na qual explicou que voltou a sofrer de colite ulcerosa e que está novamente em tratamento.

A doença intestinal inflamatória crônica também o forçou a deixar o poder em 2007.

"Vou continuar cumprindo as minhas funções até que um novo primeiro-ministro seja nomeado", completou Abe.

O novo chefe de Governo provavelmente será o vencedor das eleições para a presidência do Partido Liberal-Democrata, atualmente liderado por Abe.

O primeiro-ministro não fez comentários sobre o possível sucessor na entrevista coletiva e afirmou que "todos os nomes que circulam fazem referência a pessoas muito capacitadas".

O porta-voz do governo, Yoshihide Suga, e o ministro das Finanças, Taro Aso, são apontados como os nomes mais fortes para a sucessão.

Sem esconder a emoção, Abe afirmou que está "profundamente triste" por deixar o posto um ano antes da data prevista e em plena crise do coronavírus.

Em uma primeira reação internacional ao anúncio, a Rússia destacou "a contribuição inestimável" de Abe nas relações entre os dois países.

Nos últimos dias, circularam com força os boatos de renúncia de Abe, após duas visitas inesperadas ao hospital nas últimas duas semanas.

O porta-voz Suga tentou rebater as especulações sobre a eventual saída de Abe do governo.

Algumas horas antes do anúncio, Suga reiterou que esperava que o primeiro-ministro anunciasse a intenção de "trabalhar duro" e afirmou não ter visto nenhum sinal de deterioração da saúde de Abe durante as reuniões "diárias" com ele.

Apesar das especulações, os analistas apostavam que Abe permaneceria no cargo até o fim de seu terceiro e último mandato como presidente do PLD, que terminaria em setembro de 2021.

"É uma grande surpresa", declarou Shinichi Nishikawa, professor de Ciência Política na Universidade de Meiji, de Tóquio.

"Sua renúncia acontece no momento em que o Japão enfrenta desafios importantes, como a gestão da pandemia de coronavírus", disse à AFP.

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