Publicado 27 de Agosto de 2020 - 22h52

Por AFP

Caminhoneiros bloquearam parcialmente várias estradas do Chile nesta quinta-feira, no primeiro dia de protestos contra o aumento dos ataques que os afetam, principalmente na região de Araucanía, onde ganhou força um conflito histórico de terras entre indígenas Mapuche e o Estado.

Os motoristas estacionaram seus caminhões em vários trechos da rodovia que liga o norte ao sul do Chile, e na rota 68, que liga Santiago à cidade de Viña del Mar, onde o trânsito foi permitido apenas esporadicamente. Os caminhões permanecerão parados no local até que haja um acordo com o governo, que já lhes entregou uma proposta.

"Trabalhamos durante todo o dia com os líderes dos caminhoneiros. Fizemos com que nossa proposta chegasse a eles e estamos à espera da resposta", disse esta noite o ministro do Interior e da Segurança, Victor Pérez, sem revelar detalhes.

O ministro destacou que a mobilização "foi realizada sem a interrupção do trânsito", e que "as interrupções ocorridas foram absolutamente parciais".

- Segurança para todos -

Diversos sindicatos de caminhoneiros convocaram uma paralisação a partir de hoje, após uma série de ataques ocorridos nas últimas semanas na região de Araucanía, cerca de 600 km ao sul de Santiago, foco de tensão constante devido às reivindicações de terras por comunidades indígenas mapuches, a maior etnia chilena.

"Pedimos segurança, não só para os caminhoneiros, mas para todos os chilenos", disse José Villagrán, presidente da Federação de Caminhoneiros do Sul, à Televisão Nacional do Chile. Ele garantiu que o protesto não interromperá o abastecimento do país.

Os motoristas pressionam para, entre outras medidas, a aprovação de uma lei que iguale a pena para um ataque à cabine de um caminhão àquela aplicada por um ataque similar a uma casa, e que proporcione maior segurança no transporte.

"Eles queimam nossos caminhões, roubam nossos caminhões, isso é um problema social. Nosso problema é a insegurança e queremos que seja aprovada uma legislação sobre isso", disse à AFP Octavio Viggio, um caminhoneiro que estava estacionado na Rota 68.

No contexto do conflito de terras, alguns grupos radicais Mapuche assumem ataques a caminhões e máquinas florestais, mas também há denúncias de autoataques e encenações.

"Esta greve não é contra o povo Mapuche, mas sim contra as más políticas do governo que nos colocam no meio de um conflito com o qual não temos nada a ver", disse o caminhoneiro Pedro Galea.

No fim de semana, uma menina de 9 anos que viajava com sua família foi baleada em um atentado contra um caminhão em Araucanía. Em seguida, os criminosos fizeram os ocupantes do veículo descerem antes de incendiá-lo e montaram barricadas na estrada, segundo a polícia.

O subsecretário do Interior, Juan Francisco Galli, disse mais cedo que compartilha "a preocupação com a segurança, especialmente na macrozona do sul, expressa por aqueles que se dedicam ao transporte de cargas".

No entanto, acrescentou: "A paralisação dos caminhoneiros em nada resolve esses problemas. A solução será baseada no diálogo sem ameaças, sem extorsão e sem ultimatos".

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