Publicado 27 de Agosto de 2020 - 21h43

Por AFP

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta quinta-feira que o Mercosul vive "um momento particularmente complicado" e opinou que, em meio a alguns "problemas regionais", o acordo com a União Europeia "parece começar a fazer água".

"Na nossa região do Mercosul, vivemos um momento particularmente complicado, porque nosso grande parceiro comercial, que é a Argentina, vive uma crise continuada", comentou Mourão, durante uma videoconferência organizada por grupos do setor empresarial brasileiro.

O vice-presidente comentou sobre o aumento dos casos de coronavírus na Argentina, e disse que Buenos Aires está demorando mais do que o devido para liberar a entrada das importações brasileiras. "Estamos com um problema nas licenças de exportação. Estamos com US$ 100 milhões de veículos parados aguardando a liberação da licença não automática."

"O prazo deveria ser de 10 dias, de acordo com o padrão, e já estamos há 10 dias sem ter as licenças renovadas", detalhou. "Esses problemas se apresentam neste momento em que o grande esforço que foi feito no ano passado da articulação desse acordo Mercosul-União Europeia parece que começa a fazer água."

O acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado em 2019, após duas décadas de negociações, mas precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e os congressos dos 27 países que formam aquele bloco. França e Holanda, entre outros, manifestaram reservas em relação ao acordo, devido à política defendida pelo governo brasileiro de abrir a Amazônia à exploração mineira e energética.

A chefe de governo alemã, Angela Merkel, expressou na semana passada "sérias dúvidas" envolvendo o futuro do acordo, devido ao avanço do desmatamento na Amazônia brasileira. A respeito disso, Mourão disse que "tem um ruído nessa comunicação" e opinou que a imprensa brasileira publicou "algo totalmente do que acontece na realidade". O vice-presidente afirmou que o país tem tido "um relacionamento muito bom" com a Alemanha.

Sobre o tema ambiental, Mourão voltou a minimizar o avanço dos incêndios na floresta tropical e insistiu em que aqueles que criticam o governo Bolsonaro são opositores políticos, ativistas e agricultores europeus "incapazes de competir com os brasileiros".

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