Publicado 27 de Agosto de 2020 - 19h22

Por AFP

O ministro chinês das Relações Exteriores pediu nesta quinta-feira (27) a rápida conclusão de um acordo de livre comércio com a Noruega, mas alertou sobre a entrega de um novo Prêmio Nobel da Paz à oposição chinesa.

Em 2010, a entrega do prestigioso prêmio ao dissidente chinês detido Liu Xiaobo esfriou as relações entre a China e a Noruega e levou à suspensão das negociações comerciais, então avançadas, que poderiam ter tornado o país nórdico o primeiro da Europa a assinar um acordo com o gigante asiático.

As negociações foram retomadas em 2017, após a reconciliação entre os dois países.

"Dado o impacto da COVID-19, a rápida conclusão das negociações sobre um [acordo de livre comércio] entre a China e a Noruega é de grande importância para as relações bilaterais e comerciais", disse Wang Yi durante uma visita a Oslo em uma turnê europeia.

"Ambas as partes devem acelerar a negociação e concluí-la rapidamente", insistiu em entrevista coletiva.

Questionado sobre a indicação ao Nobel por um deputado norueguês, posteriormente nomeado ministro, ao povo de Hong Kong - que se revoltou contra uma lei chinesa de segurança -, o ministro chinês advertiu sobre qualquer "interferência".

"No passado, hoje, e no futuro, a Noruega rejeitará firmemente qualquer tentativa de qualquer pessoa de usar o Prêmio Nobel da Paz para se intrometer nos assuntos internos da China", disse ele.

"Esta posição do lado chinês é sólida como uma rocha e não queremos que ninguém politize o Prêmio Nobel da Paz", acrescentou.

Concedido pelo comitê norueguês do Nobel - independente de poder - o Prêmio Nobel da Paz 2020 será anunciado em 9 de outubro em Oslo.

A Noruega, onde Wang foi recebido por algumas dezenas de manifestantes, é a terceira etapa de sua primeira jornada europeia desde o aparecimento do novo coronavírus.

Depois de Itália e Holanda, o ministro chinês segue para França e Alemanha.

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