Publicado 27 de Agosto de 2020 - 17h52

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se apresentará como o bastião do sonho americano ameaçado pelo "caos" e pela "esquerda radical" quando aceitar nesta quinta-feira (27) a candidatura do Partido Republicano para as eleições de 3 de novembro.

"Temos que vencer. Esta é a eleição mais importante da história do nosso país", disse ele após ser indicado por uma maioria esmagadora na abertura da Convenção Nacional Republicana em Charlotte, Carolina do Norte, na segunda-feira.

"Seu sonho americano estará morto" se o democrata Joe Biden vencer, advertiu o presidente, que não parou de agitar o fantasma do "socialismo".

Esta noite, às 22h30 (23h30 no horário de Brasília), a aparição do presidente ao vivo dos jardins da Casa Branca encerrará uma convenção do partido realizada em grande parte em formato virtual, devido à pandemia, mas que nunca deixou de ser um espetáculo sobre Trump.

Os fogos de artifício vão encerrar a noite no coração de Washington após quatro dias em que um desfile de discípulos elogiou o presidente como um virtuoso econômico, defensor dos valores pró-vida e de Deus, firme na aplicação da lei e respeitoso com os direitos civis.

Porém, a segunda indicação do magnata republicano de 74 anos ocorre em meio a uma crise de saúde, econômica e social sem precedentes nos EUA. O país lamenta mais de 179 mil mortes por covid-19, o desemprego chega a 10,2%, e manifestações massivas vêm pedindo o fim do racismo e da brutalidade policial há três meses.

Os protestos, muitas vezes pontuados por atos de violência, abalaram desde domingo a cidade de Kenosha, em Wisconsin, onde um homem negro, Jacob Blake, recebeu sete tiros nas costas disparados por um policial branco.

"Não vamos tolerar saques, incêndios criminosos, violência e ilegalidade nas ruas americanas", tuitou o presidente na quarta-feira, prometendo "restaurar a LEI e a ORDEM". Mas nunca mencionou Blake.

É esperado que Trump, que dias atrás se apresentou como "o único entre o sonho americano e a anarquia, a loucura e o caos total", insista nessa retórica, amplificando a mensagem que permeou o discurso do vice-presidente Mike Pence ao aceitar sua nova nomeação na quarta-feira à noite.

"Não é uma questão de saber (...) se os Estados Unidos serão republicano ou democrata. A escolha é se os Estados Unidos continuarão sendo os Estados Unidos", declarou Pence em Fort McHenry, na cidade de Baltimore, um lugar emblemático por ter inspirado o hino nacional.

Joe Biden, um político veterano de 77 anos que está na frente de Trump nas pesquisas de intenção de voto, prometeu acabar com a "obscuridade" dos Estados Unidos ao aceitar a indicação na Convenção Nacional Democrata na semana passada.

Determinado a reverter a narrativa de seu rival de que ele é o culpado pela decepção e derrocada da América, Trump respondeu que onde Biden vê obscuridade, ele vê a "grandeza" de um país.

Nesta quinta-feira, a candidata democrata à vice-presidência, Kamala Harris, vai contrapor a esperada aparição de Trump na Convenção Nacional Republicana com um discurso em Washington.

Ela pretende falar "sobre as falhas do presidente na contenção da COVID-19 e na proteção das famílias trabalhadoras frente às consequências econômicas", além do plano Biden-Harris para enfrentar a pandemia e "construir um caminho diferente para o futuro", anunciou sua campanha.

Escrito por:

AFP