Publicado 27 de Agosto de 2020 - 15h12

Por AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu nesta quinta-feira(27) que todas as partes envolvidas na crise em Belarus negociem para superá-la, embora tenha alertado que está disposto a ajudar o presidente Alexandre Lukashenko com forças policiais.

Lukashenko, que enfrenta uma onda de protestos sem precedentes há três semanas, afirmou em meados de agosto que havia recebido uma promessa de "ajuda" de Moscou para preservar a segurança.

Na quinta-feira, Putin explicou que a Rússia está preparada para intervir em Belarus, se necessário, dentro da estrutura dos acordos militares e de segurança existentes.

"Alexander Gregorivich (Lukashenko)"me pediu para constituir uma reserva de agentes das forças de segurança, e eu o atendi", declarou, acrescentando que esperava não recorrer a ela.

"Mas concordamos que ele não a usará até que a situação esteja fora de controle e que os elementos extremistas (...) ultrapassem certas barreiras: incendiar veículos, casas, bancos, tentar tomar prédios administrativos", explicou.

Putin exortou "todos os participantes deste processo" a "buscarem uma saída" para a crise.

O chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Jens Stoltenberg, pediu à Rússia que não interfira na crise política bielorrusa.

"Ninguém, tampouco a Rússia, deve se intrometer", advertiu Stoltenberg nesta quinta-feira em entrevista à edição on-line do jornal alemão "Bild".

"Belarus é um Estado soberano e independente", frisou.

A oposição afirma que quer dialogar com Lukashenko, mas exige sua saída, e ele rejeita qualquer negociação, limitando-se a citar um vago projeto de revisão constitucional.

No poder desde 1994, Lukashenko enfrenta um movimento de protesto sem precedentes, provocado por sua polêmica reeleição em 9 de agosto, com 80% dos votos. Os manifestantes a consideram fraudulenta e acreditam na vitória da opositora Svetlana Tijanovskaia, refugiada na Lituânia.

Na capital Minsk e em todo o país, há manifestações diárias, apesar das declarações marciais de Lukashenko, acompanhadas de repressão. Em 16 e 23 de agosto, cerca de 100.000 pessoas marcharam contra ele e esperam repetir no domingo.

Autoridades também mantêm a pressão. Uma das principais figuras da oposição, Maria Kolesnikova, foi convocada nesta quinta-feira por investigadores no âmbito do processo contra o "Conselho de Coordenação" criado para promover a transição política, do qual faz parte.

Kolesnikova se recusou a responder às perguntas: "Exerci meu direito constitucional de não testemunhar contra mim", disse a jornalistas.

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