Publicado 27 de Agosto de 2020 - 13h54

Por AFP

Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente dos Estados Unidos, ironizou, nesta quinta-feira (27), os jogadores de basquete da NBA que "se dão ao luxo" de protestar contra o racismo e a brutalidade policial com um boicote à competição.

"Os jogadores da NBA (...) eles podem se dar ao luxo de tirar, sabe, uma noite de folga do trabalho", disse Kushner em entrevista ao site Politico, sobre a reação dos atletas a um novo caso de aparente brutalidade policial.

"Por causa das suas finanças, a maior parte dos americanos não pode se permitir o luxo de fazer isso", acrescentou o conselheiro de Donald Trump.

O histórico boicote aos jogos do torneio da principal liga de basquete profissional dos Estados Unidos, que levou à suspensão de um dia inteiro e colocou em xeque a continuidade dos playoffs, surge a partir do caso de Jacob Blake.

No domingo, o afro-americano de 29 anos foi gravemente ferido por um policial, à queima-roupa e pelas costas, ao entrar em seu veículo, observado por seus três filhos, perto de Milwaukee, no estado de Wisconsin.

"Acho bonito que estejam defendendo essa causa, mas gostaria de vê-los agir para encontrar uma solução concreta", alfinetou Kushner.

O caso de Blake reacendeu os protestos nas ruas contra o racismo e a brutalidade policial que se espalharam por cidades dos Estados Unidos após a morte de George Floyd, em maio, um afro-americano que foi sufocado por um policial branco em Minnesota.

Os Milwaukee Bucks foram os primeiros a boicotar o dia ao não aparecer na pista da Disney World, na Flórida, para a quinta partida de sua série de primeira rodada contra os Orlando Magic.

Em uma reação em cadeia, as outras equipes que deveriam jogar na quarta-feira também se levantaram, forçando o adiamento dos jogos entre Houston Rockets e Oklahoma City Thunder, e entre Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers.

"Exigimos uma mudança. Estamos fartos disso", escreveu LeBron James no Twitter, logo após a decisão do Bucks.

Quando foi dito a Kushner que James havia iniciado pessoalmente várias iniciativas para tratar do assunto, o conselheiro do presidente respondeu que estava pronto para trabalhar junto com ele.

"Se LeBron James entrar em contato com a Casa Branca, e nós entrarmos em contato com ele, ficaremos felizes em falar com ele e dizer: "Olhe, vamos chegar a um acordo sobre o que queremos alcançar"", disse Kushner.

"Hoje vou contactá-lo", acrescentou.

"Acho que o protesto pacífico tem lugar e importância", argumentou Kushner.

E ele acrescentou: "Não se melhora, você sabe, a equidade econômica com protestos e queimando lojas".

fff/seb/piz/mls/tt

Escrito por:

AFP