Publicado 27 de Agosto de 2020 - 11h52

Por AFP

Os casos de COVID-19 aumentam na França, e o governo decretou novas medidas nesta quinta-feira (27), a menos de uma semana para o início das aulas, como o uso obrigatório da máscara em toda Paris.

"A epidemia está voltando a se espalhar por todo país", declarou o primeiro-ministro francês, Jean Castex, em uma coletiva de imprensa.

"É o momento de agir", acrescentou Castex, tentando evitar a todo custo um novo confinamento geral que seria devastador para a economia.

O governo encerrou, em meados de maio, quase dois meses de um confinamento rigoroso, durante o qual conseguiu conter o avanço do vírus, embora ao preço de mais de 30.000 vidas.

Nas últimas 24 horas, porém, foram registrados mais de 5.000 casos de COVID-19 na França, um recorde desde o final de maio. O número de internações em hospitais também está crescendo, com mais de 800 pacientes hospitalizados por semana, contra 500 há 6 semanas, conforme os dados divulgados pelas autoridades de saúde na quarta-feira.

Diante do ressurgimento da situação epidemiológica, o governo francês colocou outros 19 departamentos em área "vermelha" nesta quinta-feira, o que significa que são áreas de alta circulação do vírus, totalizando 21 dos 96 departamentos metropolitanos franceses.

Entre essas áreas está Paris, onde, para tentar conter os contágios, Castex anunciou que o uso da máscara vai se tornar obrigatório em toda cidade. Seu uso já era obrigatório no transporte público, em lugares fechados e nas ruas mais movimentadas.

O primeiro-ministro, que não informou quando a medida entrará em vigor na capital, não descartou que esse novo critério se estenda para outras grandes cidades. A prefeitura disse que pode entrar em vigor "muito rapidamente".

Devido ao novo surto do vírus, "nosso objetivo é fazer todo o possível para evitar um reconfinamento geral e um grande fluxo de pacientes" como o que vimos na primavera (outono no Brasil), insistiu o primeiro-ministro.

O uso da máscara já era obrigatório desde terça-feira em Marselha, a segunda cidade do país, onde também foi ordenado o fechamento de todos os bares e restaurantes a partir das 23h locais, uma medida que o governo não descarta para Paris.

Este cenário seria catastrófico para a capital francesa, afetada também por uma queda drástica do turismo internacional, do qual sua economia depende estreitamente.

Nos primeiros seis meses do ano, a Cidade Luz perdeu 14 milhões de turistas devido ao coronavírus e 6,4 bilhões de euros (7,59 bilhões de dólares), segundo números divulgados nesta quinta-feira pelo Comitê Regional do Turismo (CRT) de Paris.

A situação é ainda mais preocupante a menos de uma semana para que mais de 13 milhões de crianças e adolescentes e cerca de 1 milhão de professores voltem às aulas.

Dada a situação atual da epidemia e para tomar precauções extremas, o primeiro-ministro confirmou que todos os maiores de 11 anos e os professores deverão usar máscaras durante as aulas e os intervalos.

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