Publicado 27 de Agosto de 2020 - 11h22

Por AFP

Em um ato sem precedentes, os jogadores da NBA (liga americana de basquete) boicotaram as partidas dos playoffs agendadas para a quarta-feira em protesto contra o racismo e a violência policial por conta dos sete tiros disparados por policiais nas costas de Jacob Blake, um homem negro, de 29 anos, no estado de Wisconsin.

Este movimento, que colocou em xeque a continuidade do torneio, foi seguido por outros esportes nos Estados Unidos, com a suspensão de jogos de beisebol, de futebol e o adiamento das semifinais do torneio de tênis Cincinnati, do qual a japonesa Naomi Osaka anunciou que não participaria mais.

Indignados pelo ataque a Blake, baleado diante dos filhos, em um novo episódio da brutalidade policial contra a população negra nos Estados Unidos, o Milwaukee Bucks, equipe que representa justamente o estado de Wisconsin onde ocorreu a agressão, foi o primeiro a boicotar a jornada ao não ir à quadra do complexo esportivo da Disney World para a quinta partida de sua série da primeira fase dos playoffs contra Orlando Magic.

Esta decisão gerou uma reação em cadeia envolvendo outras franquias que deveriam jogar no mesmo dia, forçando o adiamento dos confrontos entre Houston Rockets e Oklahoma City Thunder e entre Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers.

À noite, todas as equipes se reuniram na Disney World para definir suas posições sobre o futuro dos playoffs, que terminam em meados de outubro.

Na reunião, o Los Angeles Lakers e o Clippers, grandes candidatos ao título desta temporada, foram os únicos que votaram pelo boicote para o resto da competição.

No final da reunião, da qual LeBron James, Los Angeles Lakers, saiu antes do final, os jogadores se encontraram para marcar uma nova conversa na manhã desta quinta-feira, coincidindo com uma conferência convocada pelo Comissário da NBA, Adam Silver, com os proprietários das equipes.

"LeBron James disse na reunião que deseja que os proprietários (dos times) se envolvam mais e ajam", disse Shams Charania, jornalista do The Athletic, sobre o encontro, que também avaliou as consequências econômicas que o cancelamento pode gerar.

Os protestos de quarta-feira são uma escalada dramática na luta da NBA pela igualdade racial, intensificada desde o assassinato do afro-americano George Floyd por um policial branco de Minneapolis em maio.

Para encontrar um precedente para essas ações, é preciso voltar a 1961, quando Bill Russell, um dos melhores jogadores da história, e vários companheiros negros do Boston Celtics se recusaram a jogar uma partida de pré-temporada em Lexington, Kentucky, após não serem atendidos em um restaurante por serem negros.

"Exigimos mudanças. Estamos fartos disso", escreveu LeBron James no Twitter logo após o protesto de Bucks.

A revolta se espalhou na segunda-feira pela Disney World após a divulgação de um vídeo que mostra Jacob Blake sendo acompanhado por dois policiais que em seguida disparam sete tiros à queima-roupa nas costas dele, quando ele entrava em seu carro. Toda essa violência ocorreu diante os olhos dos três filhos de Blake, que estavam no interior do veículo.

O crime contra Blake, que está hospitalizado, ocorreu no domingo na cidade de Kenosha (Wisconsin), a cerca de 65 quilômetros de Milwaukee, casa dos Bucks.

"Nosso foco hoje não poderia ser no basquete", disseram os jogadores do Bucks em um comunicado lido à imprensa.

"Exigimos justiça para Jacob Blake e exigimos que a polícia assuma a responsabilidade", leu o ala-armador George Hill, que pediu aos legisladores estaduais que tomem "medidas significativas" para garantir a responsabilização da polícia e a reforma judicial.

"Parabenizo os jogadores do Bucks por defenderem aquilo em que acreditam, treinadores como Doc Rivers e a NBA e WNBA por liderar pelo exemplo", escreveu no Twitter o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

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