Publicado 27 de Agosto de 2020 - 10h03

Por AFP

A Procuradoria russa pediu à Alemanha, nesta quinta-feira (27), informações sobre o estado de saúde do líder opositor Alexei Navalnu, em coma em um hospital de Berlim, após um provável envenenamento.

O órgão afirmou, porém, que não vê "qualquer prova de um ato criminoso" neste caso.

"A parte alemã foi convidada a dar às autoridades russas explicações, informações e testes de diagnósticos preliminares feitas por ela, assim como os documentos com informações médicas dos especialistas alemães", declarou a Procuradoria, em um comunicado.

Mais cedo, a polícia russa havia anunciado que deu início a uma "análise preliminar" do caso. Até o momento, a pista sobre um possível envenenamento havia sido descartada por Moscou.

Os investigadores iniciaram "análises preliminares vinculadas à hospitalização de Alexei Navalny em 20 de agosto em Omsk", uma cidade da Sibéria, anunciou em um comunicado o departamento regional do Ministério russo do Interior.

O quarto de hotel em que ficou hospedado em Tomsk, cidade em que foi envenenado, de acordo com sua equipe, também foi alvo de busca, "assim como as imagens das câmeras de segurança", segundo o comunicado.

A nota acrescenta que os lugares por onde Navalny passou foram inspecionados e que foram apreendidos "mais de 100 objetos que podem ter valor de prova".

Ainda segundo o comunicado, "todas as circunstâncias" serão examinadas para a decisão sobre a abertura, ou não, de um processo criminal.

Ao reagir a este anúncio, o diretor do Fundo de Luta contra a Corrupção de Alexei Navalny considerou "muito estranho" que estas verificações aconteçam tão tardiamente. "Iniciem uma investigação criminal", convoca Ivan Jdanov no Twitter.

Navalny, de 44 anos, reconhecido por investigar a corrupção da elite russa e do entorno de Putin, sentiu um forte mal-estar na semana passada quando viajava de avião de Tomsk, na Sibéria, a Moscou. A aeronave fez um pouso de emergência para que o ativista fosse internado de urgência em um hospital de Omsk.

Ele foi transferido para Berlim após dias de grande tensão com o governo russo. Permanece internado em estado grave, em coma induzido, mas sua vida não corre mais perigo.

Os médicos alemães afirmaram que Nalvany foi intoxicado por "uma substância do grupo dos inibidores da colinesterase", mas sem precisar qual.

Em doses baixas, esses produtos podem ser usados contra o Mal de Alzheimer. Em função da dose, podem, no entanto, ser muito perigosos e também produzir poderosos agentes neurotóxicos, do tipo do Novichok.

O Kremlin rejeitou o termo envenenamento e considerou apressadas as conclusões dos médicos médicos alemães.

"Estamos em total desacordo com as diversas formulações precipitadas que são utilizadas para afirmar que há uma elevada probabilidade de envenenamento", afirmou Dmitri Peskov, porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, na quarta-feira.

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