Publicado 27 de Agosto de 2020 - 7h22

Por AFP

O autor dos ataques contra duas mesquitas de Christchurch, Brenton Tarrant, foi condenado nesta quinta-feira (27) a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional pelo assassinato de 51 muçulmanos em 2019 na Nova Zelândia.

Ao pronunciar a pena, o juiz Cameron Mander afirmou que, por trás da ideologia "deturpada" de Tarrant, está oculto um "ódio profundo" que o levou a atacar homens, mulheres e crianças indefesas.

"Corresponde ao tribunal dar uma resposta de rejeição categórica diante de uma maldade tão abjeta", declarou o magistrado, ao pronunciar a sentença sem precedentes na história judicial da Nova Zelândia.

O juiz, que destacou o alto preço pago pela comunidade muçulmana neozelandesa, afirmou que Tarrant fracassou na tentativa de promover a ideologia de extrema-direita.

"Foi brutal e cruel. Suas ações foram desumanas", declarou.

A primeira-ministra do país, Jacinda Ardern, comentou a sentença e afirmou desejar que o assassino tenha uma vida de "silêncio total e absoluto".

Ela disse que espera que a comunidade muçulmana do país sinta "os abraços da Nova Zelândia".

Seu colega australiano, Scott Morrison, também reagiu à condenação por crimes que classificou de "covardes e horrorosos".

"É bom que nunca mais voltaremos a ver ou ouvir falar dele", disse.

Em 15 de março de 2019, o supremacista branco australiano Brenton Tarrant matou a sangue frio 51 fiéis em duas mesquitas de Christchurch, cidade do sul da Nova Zelândia, durante a oração de sexta-feira, e transmitiu ao vivo o massacre pela internet, provocando uma onda de indignação no mundo.

Tarrant foi declarado culpado por 51 assassinatos, 40 tentativas de assassinato e por um ato terrorista.

O promotor Mark Zarifeh afirmou que o massacre "não tem precedentes na história criminal da Nova Zelândia".

"Foi motivada por uma ideologia racista e xenófoba bem arraigada", disse. A prisão perpétua era "a única condenação apropriada" para Tarrant.

"Nenhum período mínimo é suficientemente longo para responder à gravidade do crime e às perdas humanas e às feridas que foram devastadoras para os parentes das vítimas", insistiu.

O condenado, um australiano de 29 anos, permaneceu impassível ao ouvir os depoimentos dos sobreviventes, consumidos pela dor, durante os quatro dias de audiências.

Escrito por:

AFP