Publicado 26 de Agosto de 2020 - 22h03

Por AFP

As autoridades sanitárias dos Estados Unidos, que encorajavam as pessoas sem sintomas da COVID-19 a realizar testes de detecção se tivessem contato com alguém infectado, agora consideram a prática desnecessária, apesar de não terem oferecido uma explicação clara para a mudança de critério.

A modificação das recomendações foi oficializada nesta segunda-feira no site do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC), enquanto a imprensa noticiou pressão da Casa Branca para que a mudança fosse feita.

O presidente Donald Trump declarou diversas vezes que os Estados Unidos não deveriam realizar tantos testes de triagem, ao considerar que denegriam a imagem da maneira como o país tem lidado com a pandemia do coronavírus.

Mas, embora seja verdade que os Estados Unidos realizam muitos testes, também é fato que os números de contaminação são muito altos e que a pandemia avança a passos largos no país, com mais de 5,8 milhões de casos confirmados e quase 180.000 óbitos.

Antes, o site do CDC dizia: "Os testes são recomendados em caso de contato próximo com pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2".

"Devido aos possíveis contágios por pessoas assintomáticas ou pré-sintomáticas, é importante que os contatos das pessoas com infecção por SARS-CoV-2 sejam rapidamente identificados e testados".

Nesta quarta-feira, a mensagem já é outra: "Se você teve contato (de pelo menos 1,8 m) com uma pessoa infectada por COVID-19 durante pelo menos 15 minutos, mas não apresenta sintomas, não necessariamente precisa de um teste, a menos que seja uma pessoa vulnerável ou que seu médico, seu estado ou seus profissionais de saúde pública locais o recomendem".

- "Não participei" -

Brett Giroir, funcionário do alto escalão do Departamento de Saúde, disse a jornalistas que as novas diretrizes são uma "ação do CDC. Como sempre, as diretrizes receberam a atenção apropriada, consultoria e insumos dos especailistas do grupo de trabalho do coronavírus".

Giroir não detalhou que novos testes levaram à mudança de posição, mas afirmou que os documentos foram vistos por outros funcionários do alto escalão, incluindo o renomado médico Anthony Fauci, que dirige o o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas e é um dos principais assessores médicos da Casa Branca para a resposta à pandemia.

Fauci desmentiu Giroir em entrevista à rede de TV CNN: "Não participei de nenhuma discussão ou deliberação sobre as novas recomendações de testagem. Fico preocupado com a interpretação destas recomendações, e que elas façam com que as pessoas assumam erroneamente que a transmissão assintomática não é uma grande questão. De fato é."

O CDC afirmaram no passado que entre 40% e 50% das pessoas com COVID-19 eram assintomáticas e que os testes eram importantes para conter o vírus.

Alguns especialistas reagiram com assombro à mudança repentina. "Ainda não entendo a mudança nas pautas dos CDC", tuitou a Dr. Leana Wen, professora da Universidade George Washington. "As pessoas expostas ao vírus precisam saber, para proteger suas famílias e a população. Uma dúvida permanece: esta mudança deve-se ao fato de que não temos testes suficientes?".

O jornal The New York Times e a emissora CNN citaram funcionários que disseram que os CDC mudaram as diretrizes após pressão da administração Trump.

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