Publicado 26 de Agosto de 2020 - 21h42

Por AFP

Uma minoria de pessoas infectadas com o vírus da aids (HIV) demonstrou ser capaz de controlá-lo sem precisar seguir um tratamento com remédios antirretrovirais e agora um estudo sobre estes chamados "controladores de elite" oferecem pistas na busca de uma cura.

A maioria dos soropositivos precisa ingerir diariamente um coquetel de medicamentos antirretrovirais para controlar o vírus.

Este tratamento precisa ser mantido continuamente por causa da natureza do HIV e de como ele se replica.

Quando entra no corpo, o HIV insere cópias de seu material genético no DNA das células, penetrando de forma eficaz no organismo do infectado.

Estes reservatórios de HIV permanecem incrustados mesmo com a ingestão antirretrovirais e se o paciente interromper o tratamento, cópias inteiras do vírus - denominadas genomas virais intactos - podem proliferar, trazendo a doença de volta.

Mas em uma pequena parte de soropositivos - menos de 0,5% - que consegue controlar o vírus sem antirretrovirais, estes chamados reservatórios de HIV não parecem se comportar da mesma forma.

Para explicar este fenômeno, uma equipe de cientistas sequenciou bilhões de células tiradas de 64 "controladores de elite" que vivem com o vírus sem tratamento, e 41 soropositivos que usam antirretrovirais.

Eles encontraram um número menor de cópias do genoma do HIV nos "controladores de elite", mas uma proporção maior das cópias eram da forma geneticamente intacta, sujeita a proliferar.

Mas o que parece importar não é a presença dos genomas virais intactos, mas sua localização, explicou Xu Yu, professora associada de medicina da Escola Médica de Harvard, que conduziu o estudo.

"Nós descobrimos que em controladores de elite, o HIV é frequentemente encontrado em áreas do genoma humano que os cientistas chamam de "desertos de genes"", disse ela à AFP.

"Nestas partes inativas do genoma humano, o DNA humano nunca é ativado e portanto o HIV permanece em um estado "bloqueado"", acrescentou.

As descobertas podem mudar o pensamento a respeito da abordagem na busca de uma cura para o HIV, com o qual estima-se que 38 milhões de pessoas viviam em 2019.

No passado, presumia-se que se genomas intactos de HIV estivessem presentes, então um paciente ainda poderia adoecer.

Mas o sequenciamento revelou que mesmo com os genomas intactos, os "controladores de elite" permanecem saudáveis porque o vírus está situado longe de áreas onde o vírus é mais propenso a se tornar ativo e replicar.

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