Publicado 26 de Agosto de 2020 - 15h53

Por AFP

A pandemia do novo coronavírus trouxe à luz as profundas desigualdades no mundo e revertê-las é a única forma de se preparar para a luta contra novas pandemias, alertou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, nesta quarta-feira (26).

"Tem gente que espera voltar à normalidade de antes da pandemia, mas se o fizermos, recriaremos as mesmas condições de desigualdade. Não podemos voltar a ser como éramos antes dessa crise", alertou a ex-presidente do Chile em videoconferência com a Universidade Di Tella de Buenos Aires.

Bachelet considerou que são "as profundas desigualdades que estão acelerando o impacto e a incidência da pandemia" no mundo, com um saldo de quase 24 milhões de casos e mais de 800 mil mortes.

"O vírus não discrimina, mas os impactos do vírus sim, e têm efeitos desproporcionais em certos grupos", entre os quais ela listou mulheres e crianças, povos indígenas, migrantes e minorias.

A Alta Comissária citou o aumento da violência de gênero em todo o mundo e, em particular, do feminicídio na América Latina desde que a pandemia atingiu a região.

"Essa é uma crise humana, a resposta só será eficaz se focar nos direitos humanos", concluiu.

Nesse sentido, explicou que embora o primeiro objetivo seja superar a pandemia, o segundo será "nos reconstruirmos melhor".

"Antes da pandemia, no ano passado, havia no mundo 80 países com pessoas nas ruas reclamando porque a democracia não respondia às suas necessidades. O sistema econômico gerava mais desigualdades, a economia se concentrava em poucos e a pobreza e a fome aumentavam", afirmou.

Bachelet, médica de formação, alertou que a COVID-19 não será a última zoonose.

"Se não conseguirmos tomar as medidas na economia, no combate às alterações climáticas e no respeito à biodiversidade, continuaremos expostos (aos riscos de uma pandemia)", ressaltou.

"Precisamos reconstruir sociedades com maior resiliência, inclusão e justiça" e nesse processo "serão fundamentais a solidariedade e a cooperação internacional", acrescentou Bachelet.

Além disso, a Alta Comissária da ONU considerou necessário garantir que a vacina seja um bem público global.

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