Publicado 26 de Agosto de 2020 - 15h33

Por AFP

A Rússia afirmou nesta quarta-feira(26) que não é possível afirmar que o opositor Alexei Navalni tenha sido envenenado sem identificar uma substância tóxica específica.

"No momento, discordamos totalmente das várias conclusões precipitadas utilizadas para afirmar que há uma alta probabilidade de envenenamento", disse Dmitry Peskov, porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, durante uma entrevista coletiva.

"Como podemos falar de envenenamento se não há veneno?", questionou.

Médicos alemães que trataram do opositor em Berlim anunciaram que ele havia se intoxicado por "uma substância do grupo dos inibidores da colinesterase", mas sem especificar qual.

Esses produtos podem ser usados, em pequenas doses, no combate ao mal de Alzheimer. Mas, dependendo da dose, podem ser muito perigosos e também produzir poderosos agentes neurotóxicos, do tipo Novichok.

O adversário russo continua em estado grave e em coma artificial.

Navalni, de 44 anos, que se destacou especialmente por investigar a corrupção da elite russa e pessoas próximas a Putin, sentiu um forte desconforto na semana passada durante uma viagem de avião na Sibéria.

Pessoas próximas ao opositor denunciaram imediatamente seu envenenamento e lutaram para conseguir uma transferência médica para a Alemanha, suspeitando que médicos russos estavam tentando encobrir o caso.

Reagindo aos apelos do Ocidente por três dias para que uma investigação transparente seja aberta, Peskov julgou que isso "não é prerrogativa da administração presidencial, o Kremlin," mas das forças da ordem.

Na véspera, ele havia considerado que, dadas as circunstâncias, não havia motivo para iniciar investigações. Em sua opinião, "não há razão para que esta questão agrave as tensões russo-ocidentais". Nenhuma investigação foi aberta na Rússia, apesar dos pedidos dos familiares de Navalni.

No entanto, Peskov, que nunca menciona publicamente o nome do opositor, disse que a Rússia, "como todo mundo, tem um claro interesse em entender o que levou o paciente tratado em Berlim ao coma".

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, foram as últimas autoridades ocidentais a instar a Rússia a investigar o caso, depois de Berlim, Paris e Washington.

Na Rússia, Yevgeny Prigozhin, um polêmico empresário próximo a Putin, prometeu nesta quarta-feira que "arruinaria" Navalni, caso ele não morresse.

"Se Navalny oferecer sua alma a Deus, não tenho a intenção de persegui-lo. Se ele viver, terá que responder com absoluto rigor à lei russa", disse em nota.

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