Publicado 26 de Agosto de 2020 - 14h55

Por AFP

O ex-líder paramilitar ítalo-colombiano Salvatore Mancuso, acusado de disseminar o terror na Colômbia com seus assassinatos, poderá viver "livremente" na Itália, onde "não é procurado" pela Justiça, informou o advogado anti-máfia Nicola Gratteri à AFP nesta quarta-feira (26).

Mancuso, de 56 anos, um dos principais líderes das forças de Autodefesa Unidas da Colômbia (AUC), organização pertencente à extrema-direita considerada terrorista pelos Estados Unidos, desfeita em 2006 durante o governo do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), deve chegar à Itália nos próximos dias, segundo o jornal Il Corriere della Sera.

"Ele vem para a Itália como uma pessoa livre, a Justiça não o procura", afirmou Gratteri, um dos maiores especialistas em tráfico internacional de cocaína e conhecido por sua luta contra a máfia calabresa, uma poderosa organização criminosa especializada no tráfico de drogas e com fortes conexões com a Colômbia.

O ex-chefe paramilitar, nascido na Colômbia, filho de pai italiano e mãe colombiana, cumpriu pena por tráfico de drogas em uma prisão americana, e depois solicitou sua deportação para a Itália, segundo fontes da sua defesa.

"A Itália não está protegendo. Está simplesmente cumprindo à risca as leis e os tratados internacionais, como sempre fez", explicou Gratteri, procurador de Catanzaro, na Calábria, sul da Itália.

A defesa de Mancuso solicitou sua deportação para a Itália, alegando que o mesmo estava ilegalmente em solo americano por mais de 90 dias após cumprir sua pena.

Salvatore Mancuso, conhecido como "El Mono", e cerca de 30.000 membros desses grupos de ultradireita, foram submetidos a um sistema especial de Justiça acordado na época, que prevê um máximo de oito anos de prisão, em troca do desarmamento e da confissão de crimes.

Nos Estados Unidos, ele se declarou culpado de tráfico de drogas. Foi condenado a 15 anos e oito meses de prisão, embora tenha recebido uma redução de pena por boa conduta.

Desde que Mancuso foi extraditado para os Estados Unidos em 2008, as vítimas na Colômbia temem que seus crimes fiquem impunes, e exigem seu retorno para esclarecê-los, assim como os vínculos dos grupos paramilitares com políticos e empresários.

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