Publicado 26 de Agosto de 2020 - 14h02

Por AFP

Grécia, França, Itália e Chipre, países-membros da União Europeia, começaram nesta quarta-feira (26) manobras militares conjuntas no Mediterrâneo Oriental, enquanto a Turquia conduzia seus próprios exercícios navais ao lado de um contratorpedeiro americano, em um contexto de tensão entre Atenas e Ancara.

"Chipre, Grécia, França e Itália concordaram em implementar uma presença conjunta no Mediterrâneo Oriental dentro da Iniciativa Quadripartite de Cooperação (SQAD)", informou o Ministério da Defesa grego.

Os exercícios ocorrerão até sexta-feira no leste do Mediterrâneo, ao sul e sudoeste do Chipre, segundo uma fonte militar.

Pouco depois desse anúncio, Ancara anunciou que havia conduzido exercícios navais na área ao lado de um destróier dos Estados Unidos.

"As fragatas turcas TCG Barbaros e TCG Burgazada conduziram exercícios navais com o destróeir americano Winston S. Churchill no Mediterrâneo oriental em 26 de agosto", disse o Ministério da Defesa no Twitter.

Essas manobras estão ocorrendo em meio à escalada das tensões entre Ancara e Atenas, no Mediterrâneo oriental, após a descoberta nos últimos anos de importantes campos de gás.

Isso agravou as relações já distantes entre os dois países vizinhos, que disputam certas áreas marítimas.

A França alertou nesta quarta-feira a Turquia que o Mediterrâneo Oriental não pode servir como "um campo de jogo" para as ambições nacionais.

Em resposta, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou que a Turquia "não fará nenhuma concessão" em defesa de seus interesses gasíferos no Mediterrâneo Oriental e pediu à Grécia que evite cometer qualquer "erro" que a leve à sua "ruína".

"Nossas Forças Armadas se mantêm em alerta", afirmou o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, no Parlamento. "A Grécia é tão forte no terreno quanto no diálogo".

O governo grego espera que o presidente Erdogan "mostre o que disse aos nossos parceiros europeus (...) ou seja, para iniciar uma desaceleração na retórica e em suas ações", pediu o porta-voz do governo grego, Stelios Petsas.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse estar "preocupado com a situação no Mediterrâneo Oriental" e exortou as partes a uma "desescalada" e ao "diálogo".

"Temos de encontrar uma forma de resolver esta situação (...) com base na solidariedade aliada e no direito internacional", insistiu.

De acordo com Chipre, "as tensões e tentativas de desestabilizar o Mediterrâneo oriental (...) chegaram ao auge", disse o Ministério da Defesa de Chipre em um comunicado.

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