Publicado 26 de Agosto de 2020 - 13h45

Por AFP

Artilheiro insaciável, capitão com 34 títulos e vários recordes, seis vezes eleito o melhor do mundo, Lionel Messi jogou por mais de 20 anos em um e único time, o FC Barcelona, tornando-se quase grande demais para este clube, o qual agora pretende deixar.

Ícone do futebol mundial e grande nome do centro de treinamento do Barça, a "Pulga", seu apelido, é um orgulho local e um símbolo planetário. O anúncio na terça-feira da sua vontade de deixar o time em que viveu até agora toda sua vida profissional abalou os torcedores e a região da Catalunha, que imaginavam que Messi encerraria a carreira no estádio de Camp Nou.

"O casamento de Messi com o Barça tem dado muito a ambos, muitas alegrias aos torcedores", reconheceu nesta quarta o diretor desportivo da equipe espanhola, Ramón Planes. "É preciso respeitar muito o que Messi é e sua história", acrescentou.

Em 121 anos de existência do clube, talvez apenas Johan Cruyff, também eleito melhor do mundo, tenha reunido também essa aura global e raízes catalãs.

Mas antes de regressar ao Barcelona como um treinador de sucesso, o holandês também não encerrou sua carreira como jogador vestindo a camisa azul e grená de um clube que não tolera bem o envelhecimento das suas estrelas.

Aos 33 anos, Messi pode já não ter a energia que o fez vencer os zagueiros como se fossem cones em todos os campos da Espanha e da Europa.

O pequeno atacante, porém, ainda é uma máquina de driblar, marcar e quebrar recordes. É de longe o maior artilheiro da história do Barça (634 gols em 731 jogos), o maior goleador da história do Campeonato Espanhol, quem mais fez gols em um ano (91 em 2012) e o jogador com mais títulos conquistados com o Barcelona, 34 no total, incluindo quatro Ligas dos Campeões (2006, 2009, 2011, 2015).

O argentino também levou para casa seis Bolas de Ouro (troféu dado aos melhores do mundo), mais do que Cristiano Ronaldo (5), Cruyff, Michel Platini ou Marco Van Basten (3).

Seu histórico é insuperável, individual e coletivamente. Só falta a consagração com um grande título pela seleção argentina: o campeão olímpico em 2008 esteve em campo nas derrotas nas finais da Copa do Mundo de 2014 e da Copa América em 2007, 2015 e 2016.

Depois de chegar ao Barcelona em 2000, vindo da cidade argentina de Rosário, estreou como profissional em 2004 e ao longo dos anos se transformou em ídolo.

O FC Barcelona, que se autodenomina "mais que um clube", tropeçou no peso deste atacante transformado em "mais que um jogador". Um mal que tem nome na Catalunha: "Messidependência".

"A "Messidependência" não me dá muita urticária. Em qualquer equipe, o Messi influenciaria o estilo de jogo", ironizou Ernesto Valverde, então técnico do Barça, em 2018.

Devido à força das circunstâncias, este tranquilo jogador ganhou mais peso entre os companheiros de time, tornando-se capitão em 2018, e nos desejos do clube.

Em fevereiro, Messi pediu a Eric Abidal, na época diretor esportivo do Barça, que "assumisse suas decisões" e "desse nomes" depois que o francês responsabilizou os jogadores pela demissão de Valverde.

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