Publicado 26 de Agosto de 2020 - 13h33

Por AFP

Uma inundação repentina na cidade afegã de Charikar, ao norte de Cabul, destruiu quase tudo o que encontrou em seu caminho, causando pelo menos 100 mortes e outros tantos feridos - aponta o balanço oficial desta quarta-feira (26).

As autoridades enviaram tropas para ajudar nas tarefas de resgate em Charikar, onde cerca de 500 casas foram devastadas pelo fenômeno meteorológico, após chuvas torrenciais.

Charikar é a capital da província de Parwan, a cerca de 60 km de Cabul. Nesta quarta-feira, após horas de chuva, boa parte da cidade apareceu coberta de lama e pedras.

O Ministério de Gestão de Desastres informou 100 mortos como saldo provisório.

Mohamad Qasim, um agricultor de 45 anos, perdeu 11 membros de sua família, "um homem, sete crianças e três mulheres".

"Quando liguei para eles nesta noite, seus telefones estavam desligados. Então, liguei para os vizinhos, que me disseram que a casa havia sido destruída", contou.

Nas ruínas da casa de sua irmã, foram encontrados apenas três corpos até o momento.

Hamida, uma mulher de 70 anos, conta que se agarrou a uma janela por duas horas enquanto a água subia, mas foi salva pelos vizinhos: "perdi tudo, minhas joias, meu dinheiro, tudo o que tinha".

Apoiadas por várias máquinas de escavação e de remoção de terra, as equipes de resgate vasculham os escombros sob o olhar de dezenas de moradores que caminham sobre a lama.

"Temos informações de que ainda há pessoas presas sob os escombros", destacou o porta-voz do Ministério, Tamim Azimi.

Abdul Majid, habitante de Charikar entrevistado pela rede de televisão Tolo, pediu: "precisamos de mais socorristas".

O presidente Ashraf Ghani ordenou o envio de ajuda de emergência para Charikar, informou seu gabinete, em um comunicado.

Nas redes sociais, vídeos mostram habitantes de Charikar pedindo ajuda, enquanto outros compram caixões.

As catástrofes por inundações são frequentes no país, principalmente em áreas rurais pobres, onde as casas são frágeis e construídas em áreas de risco.

Os resgates e a entrega de ajuda após os desastres naturais, especialmente nas áreas isoladas, são frequentemente prejudicados pela falta de equipe e de infraestrutura neste país empobrecido por 40 anos de guerra.

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