Publicado 26 de Agosto de 2020 - 13h33

Por AFP

Nos arredores do Camp Nou é difícil imaginar um Barcelona sem Lionel Messi. A estrela está presente em cartazes, camisas e no coração dos fãs, que ainda não acreditam que ele quer ir embora.

"Não consigo imaginar. Nasci em 2003 e só me lembro do Barça com o Messi, cresci com ele, para mim o Barça é o Messi. E agora ele está saindo, está nos deixando", diz entre indignação e tristeza David Martín, um torcedor de 17 anos vestido com a camisa da equipe espanhola.

Passaram menos de 24 horas desde que o capitão do time catalão anunciou que deseja deixar o clube onde passou os últimos 20 anos, informação tratada como uma "bomba" pela imprensa espanhola.

A notícia é indigesta para os torcedores, ainda mais depois de uma temporada fatídica sem qualquer título, tensões contínuas entre jogadores e diretoria, dois treinadores demitidos e uma dolorosa eliminação nas quartas de final da Liga dos Campeões após derrota por 8 a 2 para o Bayern de Munique.

"Eles nos humilharam na Europa, o time não está à altura, a gestão da diretoria está triste, mas tínhamos Messi, nos agarramos a ele. Agora ele está indo embora. E daí? E agora?" pergunta David Martín.

Ele, como muitos outros apaixonados pelo clube catalão, é claro sobre o culpado da situação: a diretoria presidida por Josep Maria Bartomeu que, segundo a imprensa especializada de Barcelona, mantém relações ruins com o argentino de 33 anos.

Na terça-feira, depois de da divulgação da informação sobre um documento enviado aos dirigentes por advogados de Messi comunicando suas intenções, uma centena de torcedores se reuniu ao redor do estádio gritando "Bartomeu, renuncie" e "Messi fique".

Para a tarde desta quarta-feira foi convocada mais uma manifestação contra a diretoria, também objeto de uma moção de censura de um grupo de sócios para que Bartomeu deixe logo o cargo, cujo mandato termina em março de 2021.

"Algo foi feito muito mal lá para terminar assim. A relação entre Messi e a diretoria não é boa", reflete Antoni Reboredo, um aposentado de 75 anos sentado em um banco em frente ao estádio.

"Se quer sair porque não se sente confortável, é um direito seu, mereceu. Deu-nos muita felicidade, tem sido o nome do Barça nos últimos dez anos", acrescenta.

À sua frente, dezenas de câmeras de televisão aguardam em um Camp Nou particularmente desolado em um tempo sem futebol e quase nenhum turista em Barcelona devido à pandemia. Apenas pequenos grupos de torcedores vão ao estádio, para visitar o museu ou a loja, de onde sai uma japonesa vestindo uma camisa Messi recém-comprada.

"Não acompanho futebol, mas meu cunhado gosta muito do Barça e me pediu para comprar uma camisa para ele antes da saída dele (Messi)", explica Asahi Fujii, de 43 anos.

Dentro da loja do Barcelona, o número 10 e o nome do argentino já estão estampados em dezenas de camisas com o design da nova temporada que, provavelmente, a estrela do time não vai vestir.

Chaveiros, bolas ou bonecos com a imagem do argentino também ocupam grande parte das prateleiras, assim como uma foto enorme celebrando a épica virada na Liga dos Campeões contra o Paris Saint-Germain há três anos.

"Isso vai ser a ruína, o Messi vende muito. É o que nos faltava acontecer depois da pandemia", lamenta o dono de uma loja localizada dentro do estádio, que não quer se identificar para não perder a licença concedida pelo clube.

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