Publicado 26 de Agosto de 2020 - 12h02

Por AFP

O Catar tem a maior taxa de infecção pelo novo coronavírus do mundo, mas paradoxalmente registra um dos menores índices de mortalidade, graças a uma política de rastreamento sistemático, uma população jovem e um sistema de saúde eficiente - avaliam especialistas.

Com um total de 117.498 casos detectados de COVID-19, o Catar registra o diagnóstico positivo de 41.000 pessoas para cada milhão de habitantes.

O pequeno Estado do Golfo se tornou, assim, o país com o maior percentual de infectados no planeta, à frente do Bahrein (29.000 casos) e de San Marino (pouco mais de 21.000).

O Catar registra, no entanto, um número de mortes muito pequeno, com apenas 194 vítimas fatais desde o início da pandemia.

As autoridades de saúde respondem que o elevado número de infectados é resultado dos muitos testes para COVID-19, organizados de maneira sistemática.

Quase 600.000 pessoas foram submetidas ao exame de coronavírus no Catar, explica à AFP o presidente do grupo estratégico nacional da COVID-19, Abdellatif al-Khal.

O país registrou um forte aumento do número de infectados, associados à grande presença de mão de obra estrangeira (90% dos trabalhadores são migrantes), que atua, sobretudo, na construção das infraestruturas da Copa do Mundo de futebol de 2022.

Em uma dessas comunidades de migrantes, que vivem em locais pequenos e insalubres, foi detectado um dos primeiros focos de contágio no Catar.

Ao contrário do que acontece em países vizinhos, Doha concentrou os testes entre as pessoas mais suscetíveis ao contágio, ou seja, trabalhadores migrantes e residentes que retornam do exterior.

De acordo com fontes médicas, 25% dos exames apresentavam resultado positivo no momento de maior circulação da pandemia.

"Graças ao nosso programa de localização e de rastreamento e ao nosso aplicativo "Ehteraz", estamos capacitados para ampliar a busca de pessoas infectadas (...) além de organizar testes aleatórios", declarou Khal.

Luxemburgo é o país do mundo que realiza o maior número de testes de COVID-19, com 755 para cada 1.000 habitantes, enquanto o Catar, com 203 exames para cada 1.000 habitantes, é o nono.

O Catar, um país muito rico com grandes reservas de gás, investiu muito no sistema de saúde. A população de trabalhadores migrantes muito jovens também favoreceu um dos menores números de mortes do mundo, segundo especialistas.

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