Publicado 25 de Agosto de 2020 - 21h03

Por AFP

O emissário do Catar para a Faixa de Gaza chegou nesta terça-feira (25) à noite ao território palestino com uma ajuda financeira e propostas para tentar acalmar a situação entre o movimento islâmico Hamas e Israel, informaram à AFP fontes próximas ao caso.

De acordo com estas fontes do entorno de Mohammed al-Emadi, o enviado catariano para Gaza, o emissário chegou com uma ajuda de 30 milhões de dólares para o território palestino, onde vivem dois milhões de habitantes, metade dos quais abaixo da linha da pobreza, e se reunirá ainda nesta terça-feira à noite com as autoridades locais do Hamas.

A chegada de Al-Emadi acontece em um contexto tenso: desde 6 de agosto, o Hamas aumentou o número de lançamentos de balões incendiários e foguetes contra Israel, enquanto o Estado judaico, em represália, bombardeia diariamente a Faixa de Gaza.

Em resposta aos lançamentos de balões incendiários, que causaram mais de 400 incêndios em Israel -de acordo com os relatórios dos bombeiros locais-, o Estado judaico também endureceu o bloqueio sobre Gaza, fechando o posto de troca de mercadorias de Kerem Shalom e interrompendo o fornecimento de combustível para o território palestino.

A única central elétrica da Faixa de Gaza precisou interromper o serviço na semana passada e o território tem menos de quatro horas diárias de eletricidade, fornecida por Israel.

A represália poderá ter "efeitos devastadores", alertou nesta terça-feira a ONU, após as autoridades palestinas descobrirem um surto de novos casos de COVID-19 em um campo de refugiados local.

De acordo com fontes próximas à delegação catariana, os israelenses afirmaram ao emissário Al-Emadi que estão dispostos a retomar o envio de combustível para fazer a central elétrica de Gaza voltar a funcionar e aliviar o bloqueio, desde que sejam suspensos os lançamentos de balões incendiários.

Apesar da trégua decretada no ano passado, apoiada pela ONU, pelo Egito e pelo Catar, Hamas e Israel seguem se enfrentando esporadicamente.

O acordo prevê a concessão de uma ajuda financeira de 30 milhões de dólares mensais por parte do Catar e a implementação de várias medidas econômicas, com a ampliação de uma zona industrial em Gaza e a distribuição de autorizações de trabalho israelenses para habitantes do território palestino, com o objetivo de reduzir a pobreza e estabilizar a situação.

Fontes concordantes, contudo, afirmam que as tensões recentes entre Israel e o Hamas devem-se, principalmente, às divergências sobre estas medidas.

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