Publicado 25 de Agosto de 2020 - 19h42

Por AFP

A batalha legal do diretor Roman Polanski contra sua expulsão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi rejeitada por um juiz de Los Angeles na terça-feira.

O cineasta de "Chinatown" e "Bebê de Rosemary" fugiu dos Estados Unidos em 1978 após admitir o estupro de uma menina de 13 anos.

Ele foi expulso da Academia de Los Angeles, que premia o Oscar, quatro décadas depois, em meio ao movimento #MeToo, e entrou com uma petição legal para forçar a prestigiosa organização a reverter sua decisão.

No entanto, a juíza do tribunal superior de Los Angeles, Mary Strobel, concluiu que o conselho da Academia "tinha motivos para expulsar" Polanski, e que sua decisão "é apoiada pelas evidências" e "não foi arbitrária ou caprichosa".

Polanski "teve a oportunidade de apresentar qualquer evidência" sobre se ele "deveria ou não permanecer membro da Academia "à luz de sua condenação criminal e status de fugitivo".

Polanski é persona non grata em Hollywood e não pode retornar aos Estados Unidos por medo de ser preso.

O diretor franco-polonês admitiu o estupro estatutário de Samantha Geimer em um acordo judicial em 1977 para evitar um julgamento por acusações mais graves.

Ele fugiu para a França no ano seguinte, depois de cumprir 42 dias de prisão, quando parecia que a justiça reconsiderava sua liberdade.

"O problema de Roman para obter justiça em Los Angeles é que todos os juízes cobrem a má conduta uns dos outros", disse o advogado de Polanski, Harland Braun, à AFP após a decisão de terça-feira. "Tudo o que Roman pediu foi um processo justo".

Polanski, agora com 87 anos, recebeu o Oscar de melhor diretor da Academia enquanto ainda vivia em um exílio autoimposto em 2003 por "O Pianista".

Ele foi expulso da Academia junto com Bill Cosby em 2018, quando Hollywood enfrentava um acerto de contas sobre um histórico de abusos e assédio sexual.

O conselho da Academia votou pela expulsão de Polanski de acordo com um procedimento para fazer cumprir os padrões de conduta adotados na esteira do escândalo Harvey Weinstein.

Polanski afirmou que a Academia falhou em seguir seus próprios procedimentos, ou a lei da Califórnia, em sua decisão.

"Estamos satisfeitos que o tribunal tenha confirmado que os procedimentos da Academia em relação ao Sr. Polanski foram justos e razoáveis", disse um porta-voz da Academia à AFP nesta terça-feira.

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