Publicado 25 de Agosto de 2020 - 19h32

Por AFP

O Ministério Público da Venezuela determinou a prisão de dois chefes das Forças de Ações Especiais da Polícia Nacional (FAES) nesta terça-feira (25) pelo assassinato de dois funcionários de um pequeno veículo de comunicação online chavista. Pelo menos mais quatro agentes foram também presos.

Um comissário e um supervisor-chefe da FAES no estado de Zulia, na fronteira com a Colômbia, são procurados como "cúmplices" nos crimes de homicídio e associação criminosa, segundo o procurador-geral Tarek William Saab, em comunicado à imprensa.

O FAES, órgão polêmico acusado de violações dos direitos humanos, divulgou inicialmente um relatório alegando que as mortes dos dois integrantes da Guacamaya TV ocorreram em um tiroteio.

"Esses chefes, entre aspas, foram os que publicaram o primeiro relatório oficial, entre aspas, simulando o fato punível de que teria ocorrido um confronto com uma gangue de assassinos", comentou Saab.

O MP emitiu nove ordens de prisão pela morte de Andrés Eloy Zacarías, 33, funcionário da televisão digital, e Víctor Torres, 29, filho do proprietário. Dois dos detidos foram acusados de crimes de "homicídio qualificado com traição, uso indevido de armas orgânicas, simulação de atos puníveis" e "violação do domicílio por funcionários públicos".

Os assassinatos ocorreram no dia 21 de agosto em "uma operação da FAES" na sede da emissora em Cabimas, Zulia, denunciou então o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP). As duas vítimas estavam "ajoelhadas ou sentadas" quando foram alvejadas, explicou o procurador, reforçando "a hipótese de execução".

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, exigiu a dissolução do esquadrão criado em 14 de julho de 2017 pelo presidente socialista Nicolás Maduro em meio a protestos antigovernamentais.

Existem contra essa força múltiplas denúncias de violações dos direitos humanos, que incluem invasões ilegais em subúrbios pobres, tiros de misericórdia, simulação de confrontos, ocultação de autópsias e criação de obstáculos para o acesso de arquivos.

Em setembro de 2019, Bachelet apresentou um rigoroso relatório no qual afirmava documentar possíveis execuções extrajudiciais pela FAES, mas Maduro a acusou de repetir "mentiras" sobre a Venezuela.

Desde 2017, de acordo com Saab, a Procuradoria indiciou 586 funcionários da ordem pública por violações dos direitos humanos, dos quais 456 foram presos e 140 condenados.

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