Publicado 25 de Agosto de 2020 - 18h52

Por AFP

O governo boliviano pediu nesta terça-feira (25) à alta comissária da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, que não politize e visite o país para investigar as causas das mortes durante os confrontos políticos no país no fim do ano passado.

"Eu convido a ex-presidente Bachelet a deixar de fazer política e que venha à Bolívia, que venha verificar todos os exames forenses dos que morreram em Sacaba e dos que morreram em Senkata", pediu o ministro do Interior boliviano, Arturo Murillo.

A autoridade, entrevistada pelo canal a cabo ATB, referiu-se a um relatório da ACNUDH sobre os 35 mortos entre outubro e novembro de 2019, após a anulação das eleições gerais na Bolívia.

Entre os incidentes mais graves estão nove civis mortos em manifestações em Sacaba (Cochabamba) e outros 10 que faleceram na zona de Senkata (cidade de El Alto).

De acordo com a agência da ONU, durante estes incidentes que culminaram na renúncia do presidente Evo Morales, após quase 14 anos no poder, foram registradas graves violações de direitos humanos.

Bachelet disse que "me preocupa profundamente que, nove meses depois, ainda não houve prestação de contas pelas mortes em Sacaba e Senkata, nem pela maioria das mortes ocorridas no período coberto por nosso relatório".

Murillo insistiu que "ninguém foi morto pelo governo, ninguém foi morto por bala policial ou militar, todos foram mortos por tiros de escopetas, calibre 22, com dinamite, ou seja, foram assassinados pelos próprios companheiros".

O ministro do Interior boliviano continuou: "Há mortes com tiros na nuca, com tiras nas costas, com tiros nos lados".

Murillo garantiu que suas afirmações estão respaldadas pelos relatórios forenses que foram transmitidos aos órgãos internacionais.

"Senhora Bachelet, não tape os olhos, olhe com os dois olhos", concluiu o ministro em coletiva de imprensa.

A violência explodiu na Bolívia depois das eleições de 20 de outubro do ano passado, que foram anuladas após a oposição acusar o governo de fraude no processo que deu vitória no primeiro turno para Morales, cuja candidatura havia sido questionada por impedimentos constitucionais, para um quarto mandato que iria até 2025.

O ex-mandatário de 60 anos pediu asilo no México e depois se refugiou na Argentina.

A Bolívia volta às urnas em 18 de outubro para eleger um novo presidente.

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