Publicado 25 de Agosto de 2020 - 17h53

Por AFP

A hospitalização de indígenas por problemas respiratórios no Brasil aumenta na temporada de queimadas na Amazônia, e a situação, que foi agravada pelo aumento nos incêndios em 2019, pode piorar com a pandemia da COVID-19. O alerta foi feito pela ONG Instituto Socioambiental (ISA) em relatório publicado nesta terça-feira (25).

Segundo a organização, o pico de internações de indígenas na Amazônia brasileira entre 2010 e 2019 coincidiu com as queimadas da estação seca, entre agosto e outubro. No último ano, a concentração de partículas menores que 2,5 micrômetros (altamente nocivas à saúde) atingiu níveis superiores aos considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 616 municípios da Amazônia, quase toda a região.

No ano passado, o número de internações de indígenas com mais de 49 anos no trimestre de agosto a outubro foi o maior da série histórica, com 91 hospitalizações. Já a quantidade de menores de 4 anos internados chegou a 533, a segunda maior na década estudada.

"O que o estudo mostra claramente é que há uma relação direta entre desmatamento, fogo, poluição do ar e saúde indígena", disse à AFP Antonio Oviedo, assessor do ISA e um dos pesquisadores responsáveis pelo trabalho.

Em 2019, vozes dentro e fora do Brasil exigiram que o presidente Jair Bolsonaro implementasse com urgência políticas ambientais de controle de incêndios, que são sistematicamente causados na região amazônica por atividades de desmatamento.

Oviedo ressalta que neste ano a situação da saúde é ainda mais "preocupante", devido à disseminação do novo coronavírus, que já tem 3,6 milhões de casos confirmados e 115 mil mortes no Brasil.

"O sistema de saúde já está sobrecarregado com pacientes de COVID, que ataca as vias respiratórias. Mas também diversos estudos comprovaram que a baixa qualidade do ar afeta a saúde e isso cria comorbidades, deixando a resistência das pessoas ainda mais debilitada", apontou o especialista, que acredita que em algumas áreas da Amazônia, pode haver um "colapso total do sistema de saúde".

Em julho, o desmatamento caiu 36% em relação ao nível recorde de julho de 2019, porém, no período de agosto de 2019 a julho de 2020, atingiu 9.205 km², 34,5% a mais que nos doze meses anteriores.

Os incêndios florestais foram proibidos em julho por 120 dias pelo governo Bolsonaro, questionado por defender a mineração e a exploração energética da floresta tropical.

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