Publicado 25 de Agosto de 2020 - 9h13

Por AFP

As autoridades iranianas saudaram, nesta terça-feira (25), as discussões "construtivas" com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, durante sua visita a Teerã, em um momento de tensão sobre a tentativa dos EUA de restaurar as sanções ao país.

A viagem do argentino Mariano Grossi ao Irã é a primeira desde sua nomeação como chefe desta agência da ONU, com sede em Viena. Sua visita ocorre dois anos depois que o presidente americano, Donald Trump, anunciou a retirada unilateral dos EUA do acordo nuclear com o Irã.

Grossi se reuniu pela primeira vez com o diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, e deve se encontrar com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, hoje à tarde.

"Um novo capítulo se abre com esta visita", disse Salehi, após seu encontro com Grossi, em declarações citadas pela agência oficial de notícias Irna.

"As conversas de hoje foram construtivas", acrescentou.

"Decidimos que a agência continuará seu trabalho de maneira profissional e independente e que o Irã também atuará de acordo com seus compromissos internacionais", disse Salehi.

Antes da reunião, o órgão de energia atômica iraniano havia dito esperar que a AIEA "mantenha sua neutralidade em qualquer situação e se abstenha de participar de jogos políticos internacionais".

O conselho de governadores dessa agência da ONU adotou no final de junho uma resolução proposta por países europeus, na qual pedia a Teerã que permitisse que inspetores acessassem duas usinas para esclarecer se atividades nucleares não declaradas haviam ocorrido no início dos anos 1990 e 2000.

Em declarações à estação de televisão local Al-Alam na segunda-feira, um porta-voz da agência iraniana deu a entender que eles facilitarão o acesso a essas duas fábricas localizadas no centro do país e perto de Teerã, se a AIEA não exigir mais inspeções.

"Para evitar que os inimigos se aproveitem da situação, buscamos os meios para acalmar as preocupações para permitir o acesso, e assim ver que não há nada", declarou Behruz Kamalvandi.

"Mas essa questão deve ser resolvida de uma vez por todas, o que significa que eles não devem exagerar mais à frente para voltar a fazer inspeções desse tipo", acrescentou.

As autoridades iranianas impediram o acesso a essas fábricas durante meses, alegando que as inspeções eram infundadas e com base em pedidos de Israel, rival do Irã.

A visita de Grossi ocorre em um contexto de tensão entre os Estados Unidos e seus aliados europeus, após a tentativa de Washington de manter o embargo à venda de armas ao Irã e restabelecer as sanções da ONU.

Também ocorre alguns dias antes da reunião de 1º de setembro da comissão conjunta do acordo de Viena de 2015 entre o Irã e as grandes potências mundiais.

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