Publicado 18 de Junho de 2020 - 7h50

Por France Press

Agentes de saúde caminham em feira livre na capital da Índia: projeção de 500 mil casos na cidade

Indranil Mukherjee/AFP

Agentes de saúde caminham em feira livre na capital da Índia: projeção de 500 mil casos na cidade

China e Índia observam com preocupação o aumento dos contágios do novo coronavírus, que também avança em ritmo acelerado no Brasil, ao mesmo tempo em que nos Estados Unidos a doença já fez maior número de mortos do que toda Primeira Grande Guerra Mundial.

As autoridades chinesas consideram a situação epidêmica de Pequim "extremamente grave" e temem uma nova onda de contágios, depois que o confinamento draconiano e os testes de diagnóstico pareciam ter controlado a pandemia que surgiu no fim de 2019, em Wuhan, na região central do país de 1,4 bilhão de habitantes. Desde a semana passada, 137 pessoas foram infectadas em Pequim, onde moram 21 milhões de pessoas.

O foco de infecções, ao redor do mercado atacadista de Xinfadi, ao sul da capital, levou as autoridades a cancelarem mais de mil voos nos dois aeroportos de Pequim nesta quarta-feira. As escolas fecharam as portas na terça-feira, e a população recebeu o pedido para evitar qualquer viagem não essencial.

Segundo país mais populoso do planeta, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, a Índia registrou 2.000 mortes em apenas um dia, o que elevou o balanço oficial para 11.903 óbitos.

Diante de uma economia em crise, no começo do mês o primeiro-ministro Narendra Modi praticamente retirou todas as medidas do rígido confinamento imposto no fim de março, apesar da propagação da epidemia. O país registra quase 11.000 novos casos diários e mais de 354.000 desde o início da crise.

As autoridades de Nova Délhi calculam que, até o fim de julho, a capital indiana terá mais de meio milhão de pacientes de Covid-19. O governo local decidiu utilizar hotéis e centros de eventos como hospitais de campanha.

No atual contexto, o Chile prolongou por mais três meses o "estado de exceção constitucional por catástrofe", e o Equador, por 60 dias.

Na terça-feira, o Peru superou a barreira de 7.000 mortos e 237.000 infectados, mas o ministro da Saúde, Víctor Zamora, assegurou que a "epidemia mostra um declínio".

O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, anunciou que ele e sua esposa contraíram o coronavírus. Hernández informou que adotará o teletrabalho para continuar à frente do país.

No México, brigadas médicas visitam as casas na capital para fazer testes, mas nem sempre são bem recebidas. O país tem 154.863 casos positivos e 18.310 óbitos por Covid-19.

Mais mortos que na 1ª guerra

Com mais de 700 vítimas fatais por coronavírus em 24 horas, o número de óbitos da pandemia nos Estados Unidos já supera o de soldados americanos mortos durante a Primeira Guerra Mundial. 

Enquanto a Europa começa a abrir as fronteiras para permitir que o turismo ajude na recuperação da economia, Estados Unidos e Canadá decidiram prolongar até 21 de julho o fechamento de suas fronteiras no caso dos deslocamentos não essenciais.

À medida que equipes de todo mundo avançam na produção de uma vacina contra o coronavírus, a catástrofe econômica continua mostrando sua face. Trabalhadores de grandes países da zona do euro observaram uma queda de 7% de seus salários no período de confinamento, segundo o Banco Central Europeu.

Organizações alertam para quadro “severo” no Brasil

Diretor executivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan foi questionado em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 17, sobre se a pandemia da Covid-19 pode ter estabilizado no Brasil. Segundo ele, o quadro "ainda é muito severo" no País. "Certamente, o aumento do número de casos não está tão exponencial quanto antes. Há alguns sinais de estabilização", afirmou.

Ryan advertiu, porém, que ocorreram momentos similares em outras nações. "Já vimos isso acontecer antes. Pode haver sinais de estabilização por uns dias e a doença voltar a decolar", ressaltou, dizendo que o Brasil vive agora um momento de "extrema cautela". O diretor executivo da OMS recomendou que o País mantenha um foco em medidas como distância física, reforço na higiene, evitar a aglomeração de pessoas e o apoio à população, sobretudo a mais vulnerável e que enfrenta dificuldades para manter as medidas recomendadas a fim de evitar a propagação do novo coronavírus.

A situação no país levou a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a também emitir um alerta. "Não estamos vendo a transmissão desacelerar", disse a diretora da OPAS, Carissa Etienne, advertindo que os contágios também aumentam em toda região da América Latina e Caribe.

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