Publicado 19 de Junho de 2020 - 5h30

Em meio à crise da pandemia da Covid-19, o porcentual de famílias brasileiras com dívidas atingiu novo recorde histórico em junho. Com alta de 0,6 ponto porcentual, ele chegou a 67,1%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) desde janeiro de 2010. A inadimplência também acelerou no período avaliado.

Em nota, a CNC afirma que a renovação da alta do endividamento indica que as famílias estão demandando mais crédito no sistema bancário, seja para pagar dívidas e despesas correntes, seja para manter algum nível de consumo. "As incertezas sobre a recuperação da economia no pós-crise somam-se à proporção elevada de consumidores endividados no País. Assim, mostra-se importante ampliar o acesso ao crédito a custos mais baixos e alongar os prazos de pagamentos das dívidas, para com isso mitigar o risco do crédito no sistema financeiro", defende a CNC.

O número de famílias com dívidas ou contas em atraso chegou a 25,4% em junho, atingindo o maior nível desde dezembro de 2017 e registrando crescimento nas bases mensal (+0,3 ponto porcentual) e anual (+1,8 ponto porcentual). Já o total de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes chegou a 11,6% - patamar mais alto desde novembro de 2012. O indicador também apresentou aumento mensal (+1,0 ponto porcentual) e anual (2,1 pontos porcentuais).

De acordo com a instituição, apesar do contexto negativo no mercado de trabalho e para a renda, a queda da taxa Selic e a inflação controlada em níveis historicamente baixos são fatores que podem favorecer o poder de compra. (EC)