Publicado 20 de Junho de 2020 - 5h30

O comércio de rua e shoppings voltarão a fechar a partir de segunda-feira para tentar aumentar o isolamento social e frear a disseminação em Campinas do novo coronavírus, que já infectou 5.228 pessoas e matou 203 na cidade. O prefeito Jonas Donizette (PSB) anunciou ontem, em live, que atende à recomendação do Estado, feita em nota técnica pelo Comitê de Contingenciamento da Covid-19 e também da área de Saúde municipal. Jonas também vai ampliar para a rede privada a proibição de realização de cirurgias eletivas.

Assim, comércio de rua e shoppings serão fechados novamente por uma semana. O setor de serviços poderá continuar funcionando dentro das regras sanitárias que estão em vigor.

O Comitê de Contingenciamento da Covid-19 do Estado manteve as 42 cidades da região na fase laranja, a atual, mas alertou para a situação preocupante de Campinas e pediu ao prefeito Jonas Donizette a regressão de fase, que foi atendida parcialmente.

Dois decretos serão publicados hoje em edição especial do Diário Oficial. Um, proíbe os hospitais particulares da cidade de realizarem cirurgias eletivas (que podem esperar), para aumentar a possibilidade de uso de leitos para pacientes da Covid-19. Outro, determina o fechamento de comércio de rua e shoppings por uma semana a partir desta segunda-feira.

A região está na fase laranja desde 1 de junho, com exceção de Campinas, que iniciou a flexibilização uma semana depois, após avaliação do prefeito Jonas Donizette (PSB) da falta de garantias totais de que os leitos contratados estariam em operação na primeira semana do mês. A situação, no entanto, ainda segue preocupante.

Segundo Jonas, a alta ocupação de leitos levou à decisão de fechar comércio por uma semana, data que poderá ser prorrogada, se houver necessidade. “Quanto mais leitos entram em operação é como se estivéssemos enxugando leitos, porque os casos de Covid-19 continuam aumentando”, disse.

Ele afirmou que quer mostrar que a situação não está dentro da normalidade, e tem pessoas com dificuldade de compreensão que o momento exige o isolamento social. A medida, disse, traz também um alento a quem está na linha de frente do combate da pandemia.

O endurecimento das regras da retomada parcial das atividades vai durar por uma semana. E poderá ser prorrogado. A taxa de ocupação hospitalar em Campinas atingiu ontem 86,82% — dos 334 leitos de UTI, 296 estavam ocupados —, com maior pressão sobre o SUS municipal, que novamente chegou a 100%, e estadual (AME e Unicamp), que subiu para 95%. Na rede privada, que atende pacientes particulares e de planos de saúde, a ocupação aumentou para 77%.

Na avaliação do secretário municipal de Saúde, Carmino de Souza, o fechamento do comércio vai ajudar na batalha pelo enfrentamento da disseminação do novo coronavírus. “As imagens da aglomeração de pessoas no Centro marcaram muito. Pessoas com crianças nas ruas preocuparam, porque estamos com queda de doenças respiratórias entre elas, uma vez que, sem aulas, ficaram em casa. Mas se continuarem saindo podemos ter muitos problemas”, disse.

Além disso, afirmou, essa semana houve aumento de internações de pacientes não Covid e apesar da ampliação de leitos, a avaliação dos técnicos foi pela adoção de prudência e pelo fechamento.

Setor questiona o futuro das atividades no município

O fechamento do comércio de rua e dos shoppings de Campinas a partir da próxima segunda-feira foi recebido com preocupação por representantes do setor. Apesar de entenderem os motivos do fechamento, alegam que do jeito que a situação vem sendo tratada pelas autoridades, a sobrevivência do comércio regional está sendo colocada em xeque. Adriana Flosi, presidente Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), afirmou que situação pede mais comprometimento da população e do poder público.

"Nós estamos muito preocupados com a sobrevivência dessas empresas e com a sobrevivência dos empregos que elas geram. Obviamente, sabemos dos motivos que levaram a esse fechamento e acho que a partir de agora tem que haver um comprometimento muito maior por parte de todos, principalmente da população", disse ela.

Já o advogado e presidente da Comissão de Shoppings Centers da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Campinas, Gustavo Maggioni, argumentou que vê com muita preocupação o fechamento dos shoppings. "As lojas vinham cumprindo todos os protocolos e o próprio prefeito disse que a reabertura não registrou nenhum incidente. Ou seja, ocorreu tudo bem e o pessoal estava respeitando as regras", disse ele. "O grande problema é que os lojistas tiraram os funcionários da suspensão do contrato, os trouxeram para trabalhar e agora ficaram com o custo dessa mão de obra. Além disso, eles também compraram estoques", ressaltou.

Maggioni questionou a falta de decisão mais firme e menos confusa da Prefeitura com relação à abertura dos estabelecimentos na cidade. "A gente entende que a região está com aumento de casos, mas essa instabilidade do setor é muito preocupante, porque toda essa mão de obra que voltou a trabalhar se tornou agora custo e gera uma incerteza se na próxima semana vai poder reabrir.". (Henrique Hein/AAN)

Promessa é de incremento na oferta de novos leitos

A oferta de leitos para atendimento de pacientes infectados pelo coronavírus terá um incremento significativo na próxima semana, segundo expectativa do prefeito Jonas Donizette (PSB). O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, informou ontem que mais 100 respiradores serão enviados à região para abertura de leitos de UTI. Na segunda-feira, serão definidos quais hospitais receberão os equipamentos. O secretário municipal de Saúde, Carmino de Souza, afirmou que está trabalhando para que fiquem em Campinas.

O presidente da Rede Mario Gatti, Marcos Pimenta, também anunciou que está desenhando um projeto para utilizar áreas de outros serviços, como de fisioterapia, para instalar UTI. O projeto vai permitir mais 50 leitos na rede, sendo 10 de UTI na área de cirurgia ambulatorial do Hospital Ouro Verde e 14 de enfermaria na área de fisioterapia desse hospital. Além disso, serão agregados mais 30 leitos de enfermaria na UPA Carlos Lourenço.

Segundo o secretário de Saúde, além dos 100 leitos do Estado, está programada a entrada em operação na próxima semana de 23 leitos na Santa Casa (10 de UTI e 13 de retaguarda), mais 30 no Hospital de Campanha, 20 na Unicamp e dez no Ambulatório Médico de Especialidades. Ainda há a possibilidade de 15 leitos de UTI e 28 de retaguarda no Hospital Metropolitano, que vive um impasse jurídico. O juiz do Trabalho, Caio Rodrigues Martins Passos, determinou que a Prefeitura de Campinas deposite numa conta judicial todo o custeio dos 43 leitos contratados nesse hospital, de R$ 15 milhões, para cobrir dívidas trabalhistas da unidade, que está fechada há um ano.

O secretário de Assuntos Jurídicos, Peter Panutto, informou que tem uma reunião agendada para dia 23 com a Justiça do Trabalho, para tentar resolver o impasse. “Respeitamos o direito dos trabalhadores, mas há um interesse maior, que é garantir o atendimento dos doentes”, afirmou.

Para o secretário de Saúde, Carmino de Souza, a estrutura do Hospital Metropolitano é essencial. “Estamos no meio de uma pandemia e, nesse momento, é preciso que interesses corporativos e sindicais não prevaleçam. O passivo trabalhista vai se resolver, mas não podemos perder esse equipamento que é fundamental para o enfrentamento dessa crise de saúde”, disse. (MTC/AAN)

[TIT_RET_36]Parte das igrejas católicas continuará sem missas[/TIT_RET_36]

Apesar de excluir as igrejas do fechamento das atividades anunciado ontem pelo prefeito Jonas Donizette (PSB), uma parte significativa de templos católicos não retomará as missas a partir de hoje, data prevista pelo arcebispo metropolitano d. João Inácio Muller para o reinício das celebrações. As igrejas quem têm grande participação de idosos decidiram postergar as celebrações, para evitar a disseminação do novo coronavírus nessa população mais vulnerável. Em Indaiatuba e em Valinhos todas as igrejas católicas adiaram a retomada das missas.

Em Campinas, a Catedral, as oito paróquias que integram a Forania São José, situadas da região do eixo da Avenida Amoreiras, também adiaram o reinício das celebrações, da mesma forma que a paróquia Nossa Senhora das Dores, no Cambuí, entre outras. Segundo o vigário-geral, José Eduardo Meschiatti, a avaliação das paróquias que têm grande presença de paroquianos idosos é que será mais prudente o adiamento, porque eles vão querer ir às missas. "Os padres já constaram um índice alto de contaminação em pessoas nas paróquias e famílias, que antes eram números, agora já são nomes" afirmou.

Aquelas que retomarão as missas a partir de hoje seguirão o protocolo sanitário definido em decreto do arcebispo. Elas ocorrerão em um período diário de quatro horas e o acesso dos fiéis será limitado, de acordo com a capacidade (agendamento prévio, por telefone, redes sociais, etc.). Os participantes das celebrações deverão guardar distância mínima de dois metros uns dos outros.

Além da obrigatoriedade de uso de máscaras, os fiéis deverão higienizar as mãos, na entrada da igreja, com álcool em gel 70% e as solas dos sapatos com água sanitária. Durante a comunhão, os fiéis permanecem nos seus lugares e o ministro levará a hóstia até eles. Quem for comungar, de acordo com o protocolo, deverá ficar em pé, retirar a máscara pelo elástico e receber a comunhão com a mão em forma de pinça, colocar a máscara e sentar.

O Pai Nosso seja rezado sem dar as mãos e sem o abraço da Paz. Continuam suspensas peregrinações, romarias, procissões, adoração do Santíssimo em grupos, festas, concentrações religiosas, acampamentos e outras atividades similares em grandes grupos, passíveis de forte propagação da epidemia. (MTC/AAN)