Publicado 19 de Junho de 2020 - 5h30

Com o crescimento da taxa de ocupação de leitos de UTI para pacientes com Covid-19 na região de Campinas, aumentou a possibilidade de ser anunciada hoje a regressão para a fase vermelha, onde apenas serviços essenciais funcionam. A taxa média de ocupação de leitos nos últimos sete dias nas 42 cidades da região foi de 75,3%, bem próxima dos 80% que determinam o retorno à primeira fase de flexibilização no Plano São Paulo. O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, informou que os dados de hoje serão avaliados para a tomada de decisão.

“A situação das regiões de Campinas e Sorocaba é extremamente preocupante", afirmou. Em Sorocaba, a taxa ficou ontem em 83%. Segundo ele, se analisada a situação pontual da cidade de Campinas, o ocupação ontem ficou em 90% e uma taxa de internação de 104% na comparação dos últimos sete dias com a semana anterior. Em Sorocaba, as internações aumentaram 107% no período. “O alerta para essas regiões é grande”, disse.

O prefeito Jonas Donizette afirmou ontem que não terá problema em retroceder, se for necessário, apesar da preocupação em relação às atividades econômicas, com a subsistência das famílias, mas, segundo ele, deve prevalecer o respeito à vida.

Vinholi disse que 60 respiradores foram enviados à região de Campinas e outros 60 serão liberados para Campinas e Sorocaba. Os novos equipamentos permitirão ampliar a capacidade de UTIs nas duas regiões. “Nossa preocupação com as duas regiões é evitar o colapso no sistema de saúde, porque estamos vendo um crescente número de casos e de ocupação hospitalar”, detalhou.

A situação, ontem, mostrava que estavam internados em hospitais, nas 42 cidades, 307 pacientes com Covid-19 e outros 237 com suspeita da doença, totalizando 148 novas internações em relação à terça-feira entre casos confirmados e suspeitos. Mas cresceram em 88,9% as novas internações na comparação dos últimos sete dias com a semana anterior.

Apesar do crescente aumento de casos, a taxa de isolamento social vem se sustentando em 46% em Campinas, com pouca variação em relação ao período anterior da retomada gradual das atividades. O prefeito disse que as pessoas têm que se conscientizar que não é porque o comercio abriu que podemos relaxar.

“A situação ainda é crítica e precisamos da responsabilidade individual. Quem puder, fica em casa. Quem precisar sair, use máscara, adote o distanciamento social. Nosso esforço é para garantir atendimento médico a todos que precisarem, e a população tem que colaborar fazendo sua parte”, disse.

Jonas pede unidade para a região

O prefeito Jonas Donizette (PSB) quer que o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), sob gestão estadual, seja utilizado apenas para atendimento de pacientes da Covid-19 de Campinas e que o Estado construa uma unidade exclusiva para receber pacientes da região. A demanda, levada ao governador João Doria (PSDB), tenta evitar o colapso no sistema de saúde da cidade, apesar da contratação de leitos na rede privada, da ampliação no Hospital de Campinas e na rede municipal.

Segundo o prefeito, Campinas fez investimentos e está recebendo pacientes da região, mas agora, com o crescimento de casos de Covid-19, é necessário mais um equipamento do Estado mais estruturado para os atendimentos regionais e, assim, dar um alívio no atendimento médico-hospitalar para Campinas. Além doa AME, o Estado tem ainda a Unicamp em Campinas que recebe pacientes infectados pelo novo coronavírus. Ontem, no AME, dos internados, apenas três eram de Campinas — nas últimas semanas, a unidade vinha atendendo somente a região, mas o aumento da ocupação de leitos municipais levou à necessidade de socorro desse ambulatório.

No início da pandemia, Jonas reagiu à expectativa de o ambulatório receber pacientes da Grande São Paulo e o Estado acabou atendendo ao pedido para que a unidade fosse destinada a pacientes da região. Agora, disse, é necessário maior investimento em um grande equipamento estadual para a região.

De acordo com o prefeito, há o compromisso do governo do Estado em atender à demanda, se a região permanecer na fase laranja. O secretário de Saúde, Carmino de Souza, afirmou que os municípios da região estão enfrentando dificuldades para obter leitos de UTI e é importante que o Estado ajude a buscar alternativas para garantir atendimento para a Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Além da RMC, Campinas também socorre pacientes de uma região mais ampla, das 42 cidades que integram a área do distrito regional de Saúde. A taxa de ocupação de leitos de UTIs nesse conjunto de cidades foi de 75,3% nos últimos sete dias. (MTC)

Município tem o menor número de mortes em 3 dias

A cidade de Campinas atingiu ontem o registro de 194 óbitos por Covid-19, segundo boletim epidemiológico apresentado no meio da tarde pelo prefeito Jonas Donizette (PSB). Foram nove mortes a mais, em comparação com o boletim divulgado na tarde de quarta-feira. As autoridades sanitárias investigam ainda 23 óbitos. Outros 479 casos suspeitos de contaminação também estão sob investigação. Apesar de alto, o de ontem foi o menor número de casos de mortes em três dias, já que na quarta-feira foram 21 óbitos e, no dia anterior, foram 15 registros de mortes.

A secretaria de Saúde informou que o sistema de contabilização do Ministério da Saúde esteve fora do ar ontem e por isso alguns nos números não puderem ser atualizados.

Assim, o número de casos confirmados da doença permanece em 4.726 — o mesmo verificado ontem. O número de pessoas internadas é de 251 e as que estão em isolamento domiciliar chegam a 843. O número de curados em Campinas chega a 3.457 pessoas. (AAN)