Publicado 18 de Junho de 2020 - 5h30

O prefeito Jonas Donizette (PSB) disse ontem que, com a baixa taxa de isolamento social, que mantém os mesmos índices de antes da retomada gradual das atividades econômicas, a hipótese de retroceder e determinar o funcionamento apenas dos serviços essenciais não está descartada. É medida, disse, que poderá ser adotada, mesmo se o governo do Estado autorizar a permanência da região na fase laranja.

Ele informou que vai se reunir amanhã novamente com os comerciantes para ver outras ações que poderão ser adotadas para evitar o grande fluxo de pessoas no Centro. “Se o fechamento do comércio mostrasse variação no isolamento, eu já teria retrocedido. Mas as pessoas continuam saindo de casa e a conclusão que chego é que antes da retomada das atividades elas estavam se movimentando nas suas regiões e, agora estão vindo para o Centro. Não adianta fechar o comércio na região central se as pessoas continuarem andando nos bairros”, afirmou.

As taxas de isolamento tiveram pouca variação. No dia 1 de junho, uma semana antes da retomada, a taxa foi de 46%. Uma semana depois se manteve e vem permanecendo nesse percentual até agora, com exceção dos finais de semana, onde registra índice acima de 50%. Em maio, o indicador ficou, na maioria das vezes, entre 45% e 48%, menos sábados e domingos. A melhor taxa foi registrada em 3 de maio, domingo, com 57%.

“Estamos em uma fase de batalha, em que pessoas têm que se conscientizar que não é porque o comércio abriu que podemos relaxar. A situação ainda é crítica e precisamos da responsabilidade individual. Quem puder, fica em casa. Quem precisar sair, use máscara, adote o distanciamento social. Nosso esforço é para garantir atendimento médico a todos que precisarem, e a população tem que colaborar fazendo sua parte”, disse.

Jonas lembrou que, no final de maio, embora autorizado pelo governo do Estado, não optou pela retomada das atividades em 1 de junho, porque avaliou que não havia 100% de garantia de que os leitos contratados naquela semana estariam disponíveis para a população. Dessa forma, adiou para 8 de junho a abertura do comércio de rua, shoppings e serviços, com horário de funcionamento restrito a quatro horas e adoção de medidas sanitárias.

Doria anuncia amanhã novas classificações

O governador João Doria (PSDB) anunciará amanhã em qual fase do Plano São Paulo as 17 regiões paulistas estarão, nas duas próximas semanas, na retomada gradual das atividades. A tendência é que os 42 municípios da região de Campinas permaneçam na fase laranja, apesar das crescentes confirmações de infecção e mortes pelo novo coronavírus e da ocupação de leitos. O que está evitando a regressão para a fase vermelha, onde apenas serviços essenciais funcionam, é o aumento de leitos de UTI. “Não fosse isso, o sistema de saúde da região já teria entrado em colapso”, disse o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.

Segundo ele, a taxa de ocupação de UTIs na região estava em 65% na semana passada, subiu para 73% na terça-feira e para 76,6% ontem. Cerca de 100 respiradores estão sendo enviados à região, permitindo a ampliação de 551 para 700 leitos de UTI e a previsão é que, até o final de semana, cerca de mil leitos, incluindo aqueles sob gestão dos municípios estarão em operação.

O governo alterou a cronologia de anúncios de reclassificação das regiões no Plano São Paulo. Elas ocorriam sempre às quartas-feiras e passarão as sextas, para evitar lapso de tempo entre as decisões e o início da nova fase, que começa sempre às segundas-feiras. Cada região permanece em uma fase por duas semanas, com exceção de situações que necessitem volta atrás no plano, para a fase vermelha. (MTC/AAN)

Município registra novo recorde de mortes

Campinas voltou a bater, ontem, o recorde diário de mortes por coronavírus. Balanço divulgado pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) informa que foram registrados 21 óbitos a mais na comparação com o dia anterior. Com isso, a cidade chega a 185 mortos pela Covid-19. Outros 20 óbitos ainda estão em investigação. O recorde de mortes vem se repetindo desde a semana passada, primeiro com nove óbitos, depois subiu para 15 e agora chegou a 21. O secretário de Saúde, Carmino de Souza, disse que a cidade vive hoje o pior momento da pandemia.

Campinas registrou 334 novos casos da doença, em comparação com a terça-feira, e contabiliza 4.726 casos confirmados da doença. Há, ainda, outros 463 em investigação — o que representa 36 a mais em relação a terça-feira. A Secretaria de Saúde informa ainda que Campinas conta hoje com 241 pessoas internadas com Covid-19 e 843 em isolamento social. Os números mostram, porém, que houve um aumento de pessoas curadas — 222 pessoas mais. Agora há um contingente de 3.457 indivíduos que conseguiram se recuperar da doença.

“Os números não falam. Os números gritam”, disse o prefeito, ao anunciar o novo boletim epidemiológico. “A situação é grave e demanda de todos nós um senso de responsabilidade muito grande”, acrescentou. “Que esses números sirvam de alerta para as pessoas que acham que está tudo normal. Não está tudo normal. Nós precisamos mudar o nosso comportamento”.

“A morte nos constrange”, disse o secretário de Saúde, Carmino de Souza. “Seguramente, estamos vivendo o pior momento da epidemia em nossa cidade e na região”, admitiu. “O que nós podemos fazer é trabalhar para fazer o melhor em termos de ampliação da estrutura de atendimento e dar melhor atenção possível aos que foram afetados”, argumentou. “Mas existe um ponto que é fundamental. Nós temos uma arma poderosa, que é o isolamento social”, ensinou.

As mortes

Um dado que chamou a atenção é que entre os 21 mortos, cinco foram de pessoas abaixo dos 60 anos — e três deles abaixo dos 50. Dos óbitos, porém, apenas três não tinham as chamadas comorbidades — doenças associadas. (Da Agência Anhanguera)