Publicado 18 de Junho de 2020 - 5h30

Além dos impactos na saúde pública e privada, com pré-colapso nas redes de atendimento, a pandemia do novo coronavírus tem gerado uma série de consequências desastrosas para as atividades econômicas. Segmentos como bares e restaurantes experimentam uma espécie de crash sem precedentes contemporâneos. Muitos estabelecimentos quebraram ou demitiram quase a totalidade dos funcionários. O varejo foi outro setor duramente atingido, com falências e entrega de tradicionais pontos comerciais.

Parte dessa crise foi retratada em reportagem do último domingo do Correio Popular sobre o Centro de Campinas. Em uma rápida passagem pela região, a reportagem identificou pelo menos 35 lojas com anúncios de “Aluga-se” em suas portas, confirmando que seus proprietários encerraram o negócio depois de pouco mais de três meses de pandemia. Nem lojas tradicionais resistiram. É o caso da Laticínios Lima, instalado há mais de 50 anos na Rua Barão de Jaguara, esquina com Rua Ferreira Penteado, conforme foi destacado na ampla reportagem manchete do jornal.

A descrição dramática indica que a pandemia, além de colapsar as finanças das lojas, provocou um impacto significativo no cenário urbano de uma região que, historicamente, expõe as suas feridas degradantes, como falta de manutenção nos espaços públicos, decadência de pontos comerciais, quase ausência de lazer noturno e situações rotineiras que favorecem a mendicância, a pirataria, a jogatina e os delitos comuns ligados a sexo e drogas. Essas contravenções penais, inclusive, são um dos fatores que afugentaram o público ao longo dos anos e que conspiram contra a sustentação do Centro, mesmo em hipotético caso de investimento forte na revitalização.

É por isso que a área central, com seu casario e prédios históricos e sua arquitetura que remete aos ciclos do Império, exigirá um olhar especial das autoridades e das entidades privadas quando a pandemia for superada ou mesmo controlada. O fechamento de lojas tradicionais e de dezenas de outros pontos comerciais vai agravar ainda mais o processo de degradação, criando uma dificuldade a mais em qualquer projeto que vise a ocupação sensata e organizada dos espaços. É conveniente que esse tema seja colocado à mesa no seu devido tempo, com o empenho merecido. Uma área central decadente e com força reduzida comercialmente tende a abrir espaço para a contravenção. Além disso, afasta investidores e atrasa eventuais projetos que ainda estão na gaveta para a tão esperada revitalização de fato.