Publicado 20 de Junho de 2020 - 12h13

Por Alenita Ramirez

A Anvisa alerta que resultado positivo dos testes não serve na contagem de casos no País, porque há a possibilidade de falso negativo

Matheus Pereira/AAN

A Anvisa alerta que resultado positivo dos testes não serve na contagem de casos no País, porque há a possibilidade de falso negativo

A Vigilância Sanitária suspendeu na manhã de ontem a realização do teste rápido de Covid-19 em farmácias e drogarias de Campinas. A medida, segundo a chefe do Setor de Vigilância Sanitária de produtos de Interesse à Saúde, Cléria Maria Moreno Giraldelo, se deve ao fato de que algumas das unidades que ofereciam o serviço não dispunham de espaço específico para a realização do exame, como o órgão municipal recomenda. A coleta tem de ser feita em uma área reservada, separada dos demais procedimentos da farmácia e distante do fluxo de clientes.

Campinas tem cadastradas 860 drogarias e 100 farmácias de manipulação. Pesquisa realizada pela Vigilância Sanitária junto a sites, entre quarta e quinta-feira, constatou que 13 unidades ofereciam o teste rápido de Covid-19. Em vistoria realizada na manhã de ontem foi confirmado que apenas cinco delas ofertavam o teste. As demais tinham apenas a intenção de iniciar os exames e todas foram orientadas sobre como proceder.

No final de abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a realização de testes rápidos (ensaios imunocromatográficos) de anticorpos para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) em farmácias e drogarias. A medida é em caráter temporário e excepcional e visa ampliar a oferta e a rede de testagem, como forma de reduzir a alta demanda em serviços públicos de saúde durante a pandemia. Entretanto, os testes não têm finalidade confirmatória e servem apenas para auxiliar no diagnóstico da Covid-19.

“Como era uma determinação federal, os municípios ficaram no aguardo de uma orientação estadual. As farmácias de rede começaram a fazer na Capital e repassaram para as unidades dos municípios, mas só que até então não tínhamos nada autorização por parte do estado. Como não veio nenhuma orientação e muitas farmácias estavam nos procurando, trabalhamos para elaborarmos orientações, com algumas regras a serem seguidas”, disse Cléria.

De acordo com ela, os testes foram suspensos até que as farmácias e drogarias se enquadrem às regras e sejam autorizadas. Toda a orientação para o procedimento consta na página da Vigilância Sanitária, no site da Prefeitura de Campinas, o http://www.saude.campinas.sp.gov.br/saude/, dentro do item regularização.

Entre as regras que as unidades devem observar está o local para a realização do teste, que não pode ser no mesmo espaço onde é realizado procedimentos como medição de pressão, de glicemia e outros.

“Até recomendamos um espaço específico, como um drive thru no estacionamento, ao ar livre. Mas tudo dependerá das farmácias e drogarias. Eu creio que na semana que vem já tenha unidades autorizadas a fazer o teste. Também vamos fazer orientações e comunicar as farmácias via e-mail”, falou Cléria.

A reportagem pesquisou junto às unidades que ofereciam o teste e constatou que o serviço tinha o preço médio de R$ 140 antes de ser suspenso. Os interessados precisavam se cadastrar no site das farmácias e drogarias. Em uma das unidades, a agenda estava preenchida até o próximo dia 24 e eram feitos em média oito testes por dia.

Testes

O teste rápido como o que é oferecido nas farmácias só pode ser feito após o oitavo dia de sintomas, pois no estágio inicial da infecção pode apresentar um resultado negativo, indicando a ausência ou baixos níveis de anticorpos e dos antígenos da Covid-19. Segundo a Anvisa o resultado positivo dos testes não serve na contagem dos casos de coronavírus no País, porque existe a possibilidade dos chamados falso negativos.

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Alenita Ramirez