Publicado 19 de Junho de 2020 - 7h52

Por Daniel de Camargo

Grupo da Glicério quer realocação

Wagner Souza/AAN

Grupo da Glicério quer realocação

Um grupo com cerca de 40, dos 150 funcionários dispensados após o fechamento da unidade do Poupatempo, que por 22 anos funcionou na Avenida Francisco Glicério,se mobiliza para que nenhum desses postos de trabalho seja encerrado em definitivo. Eles querem ser recontratados e realocados em novas ou unidades já existentes. Por isso, realizam uma petição via internet que, após atingir 10 mil assinaturas, será encaminhada ao governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB). Até a tarde de ontem, foram contabilizadas 7.158 assinaturas.

Segundo o porta-voz da comissão, Gustavo Souza, de 22 anos, que reside no distrito de Barão Geraldo, e trabalhava como atendente no local, orientando a população, os trabalhadores assinaram o aviso prévio no último dia 5. O jovem comentou que foi escolhido pelos colegas para falar porque se desligou da terceirizada Esperança, duas semanas antes, para ajudar a cuidar do pai, que está tratando de um câncer. Deste modo, enfatiza, não há como ele sofrer retaliação por parte da empresa.

O motivo do fechamento da unidade, no Centro, de acordo com a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), que administra o Programa Poupatempo, foi o fim do contrato com a terceirizada Esperança, que era responsável pelo atendimento. O imóvel inclusive já foi devolvido ao proprietário.

Souza diz que o prédio na Glicério tinha localização privilegiada, o que facilitava o acesso, se comparado a única unidade existente, no momento, na cidade, instalada no Campinas Shopping, no Jardim do Lago. Por isso, frisa, a demanda de atendimentos era maior no local. De acordo com dados disponibilizados pelo Poupatempo, em seu site oficial, cerca de 2 mil atendimentos por dia foram realizados em dias de semana, na unidade do Centro, em março passado – último mês que aparece na relação estatística. Na unidade do Campinas Shopping, a média foi de 1.572. No momento, as unidades do Poutatempo estão fechadas para enfrentamento da pandemia da Covid-19, conforme informa o site do programa. “A medida evita aglomerações”, frisa o aviso.

Souza comentou que os funcionários ficaram chocados ao serem informados do fechamento da unidade. A notícia, destacou, foi ainda mais alarmante considerando o cenário da pandemia e a crise econômica. “Algumas pessoas estavam prestes a se aposentar e trabalharam a vida inteira lá”, lamentou. Por fim, projetou que, caso seja instalado uma unidade com novo conceito de atendimento no Paço Municipal, não deverão ser gerados mais do que 40 empregos.

A Prodesp informou, ontem, em nota, que os postos de trabalho do programa Poupatempo são indiretos e que as contratações são feitas pelas empresas prestadoras de serviços. Todas as terceirizadas seguem o processo de licitação, conforme previsto em lei. Caso seja aberto um posto no Paço Municipal, haverá licitação e, não há impedimentos por parte da companhia, que a vencedora reaproveite os antigos colaboradores da unidade que operava na Glicério. Procurada, a Esperança Serviços, com sede em Guarulhos, não se manifestou até o fechamento desta edição.

Jequitibás

Anteontem, a comissão de representação formada por seis vereadores da Câmara para tentar manter aberta a unidade central do serviço, mais o secretário de Governo, Michel Abrão Ferreira, que representou o prefeito Jonas Donizette (PSB), esteve reunida com a diretoria da Prodesp, na sede da empresa, em Taboão da Serra.

Na oportunidade, ficou acertado que será instalada uma unidade no térreo da Prefeitura, caso o espaço de 400 metros quadrados, cedido pelo chefe do Executivo, atenda os critérios técnicos necessários. Na próxima semana, uma equipe de profissionais da Prodesp, composta por arquitetos e engenheiros, virá a cidade para avaliar o local.

Em meados de 2019, o governo estadual divulgou que havia selecionado cinco municípios, entre eles Campinas, para testar um projeto que promoveria a modernização das instalações e do atendimento.

Em Campinas, o plano era condicionado obrigatoriamente à mudança do imóvel, pois a unidade do Centro seria convertida para esse novo conceito, que exige um espaço horizontal. Por isso, o prédio na Glicério foi avaliado como inadequado.

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Daniel de Camargo