Publicado 21 de Junho de 2020 - 11h42

Por AFP

Pesquisador do fascismo francês, militante comprometido a favor da paz com os palestinos, opositor da direita em ascensão em seu país, o historiador Zeev Sternhell, uma das principais figuras intelectuais e políticas da esquerda de Israel, faleceu neste domingo aos 85 anos.

Nascido na Polônia, seu pai morreu em combate no início da Segunda Guerra Mundial. A mãe e a irmã foram assassinadas pelos nazistas. Em plena perseguição aos judeus e construção dos campos de concentração, seus tios o fizeram passar por um menino católico.

Adolescente, após a guerra se refugiou na França, onde teve sua formação intelectual. Se mudou para Israel pouco depois da criação do Estado.

Autor de ensaios como "Nem direita nem esquerda: a ideologia fascista na França", Sternhell se interessou sobretudo pelas "raízes francesas do fascismo" e desejava um "exame consciência".

Para o historiador, o governo colaboracionista francês de "Vichy não foi um parêntese, e sim algo precedido e preparado, por textos e teorias, organizações...". Apesar de ser um grande francófilo, ele criticava "uma interpretação indulgente sobre a França", de acordo com um de seus ex-alunos, Denis Charbit, professor universitário em Israel.

Para as novas gerações foi a pessoa que "abriu um campo considerável de análise sobre o fascismo francês".

Professor de Ciências Políticas na Universidade Hebraica de Jerusalém, Sternhell gostava de deixar sua torre acadêmica para demonstrar compromisso, mesmo com perigo para sua vida, lutando pela paz com os vizinhos árabes e palestinos.

Em setembro de 2008 ficou ferido na perna direita após a explosão de uma bomba quando saía de casa.

"O problema não é Zeev Sternhell ou um ataque contra a pessoa de Zeev Sternhell, é um problema de sociedade, político. Nossa sociedade é cada vez mais violenta", afirmou na ocasião.

Em 1973 participou na guerra do Yom Kippur. Depois passou a trabalhar com a ONG "Paz Agora", favorável a um acordo entre Israel e Egito.

A "Paz Agora" luta contra o desenvolvimento das colônias judaicas, tema atual devido ao plano de anexação de partes da Cisjordânia ocupada por Israel, o que para os palestinos simboliza "a morte da solução de dois Estados".

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