Publicado 21 de Junho de 2020 - 10h12

Por AFP

Os sérvios comparecem às urnas neste domingo para eleições legislativas boicotadas por parte da oposição e que devem consolidar a posição do partido do presidente Aleksandar Vucic, que ganhou popularidade com a crise do coronavírus.

As primeiras eleições nacionais na Europa depois da pandemia acontecem à sombra da figura presidencial. Aleksander Vucic não é candidato, mas seu nome aparece nas cédulas de votação como presidente do Partido Sérvio do Progresso (SNS, centro-direita), no poder há oito anos.

No centro de Belgrado, eleitores votavam de máscara e respeitando as medidas de saúde em vigor.

Os partidos de oposição que boicotam as legislativas justificam sua decisão com a impossibilidade de organizar eleições livres pelo que consideram uma distorção do ambiente midiático e democrático.

Porém, a oposição, que concorda apenas em sua rejeição a Aleksandar Vucic, está minada pelas divergências. Os principais partidos boicotam a votação, mas quase 20 pequenas formações apresentaram candidato.

De acordo com as pesquisas da agência Faktor Plus, o SNS deve obter 60% dos votos, à frente do Partido Socialista, que integra a coalizão de governo, com 12%.

De acordo com a Constituição, o presidente tem um papel simbólico, mas Aleksandar Vucic é sem dúvida a pessoa que toma as decisões. Ele tem tanto controle que o nome do primeiro-ministro, em caso de vitória, ainda não foi anunciado.

A propaganda eleitoral não apresenta a sigla do SNS, e sim a frase "Aleksandar Vucic para nossos filhos".

Analistas apontam um "sistema autoritário competitivo".

"Há competitividade, mas os protagonistas não são iguais", afirmou à AFP Dusan Spasojevic, professor de Ciências Políticas na Universidade de Belgrado.

"O ambiente midiático não é livre, as instituições deixaram de ser independentes (...) É difícil desafiar o governo nas urnas", afirma Florian Bieber, especialista em política dos Bálcãs.

O chefe de Estado, que foi duas vezes primeiro-ministro antes de chegar à presidência, denuncia o boicote como uma ameaça à democracia e acusa a oposição de utilizar a tática para disfarçar sua impopularidade.

Aos 50 anos, o presidente registra seu maior índice de popularidade, segundo as pesquisas, que mostram que saiu fortalecido da crise de saúde.

Embora os números da epidemia registrem uma leve alta após o fim do confinamento, a Sérvia, com 260 mortes, evitou a catástrofe vivida em outros países.

Além da gestão da pandemia, o presidente, um antigo ultranacionalista que fez a escolha tática de uma aproximação com o Ocidente e a União Europeia, agrada aqueles que o consideram próximo do povo.

Ele aposta nos grandes projetos de infraestruturas e promete dobrar a média salarial no país a 900 euros (1.008 dólares) até 2025.

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