Publicado 19 de Junho de 2020 - 20h52

Por AFP

O Brasil apresentou o futebol mais bonito da história durante a Copa do Mundo do México em 1970. Com toque refinado, entrosamento perfeito e alta qualidade técnica, a seleção cativou o planeta e ficou para sempre com a Copa Jules Rimet.

Vinte e dois brasileiros buscaram o tricampeonato mundial no México, mas cinco deles se destacavam e tinham que jogar. O problema era como encaixar todos eles com seus talentos excepcionais do meio de campo para frente. Gerson, Rivellino, Jairzinho, Tostão e Pelé, os cinco poderiam jogar com a camisa 10. Qualquer um deles poderia ter sido o orquestrador dessa equipe de 70. Muitos duvidavam que os cinco craques pudessem jogar juntos. Seu treinador tornou isso possível e, no dia 21 de junho de 1970, meio século atrás, o Brasil ergueu sua terceira Copa do Mundo.

De nada serviu ao jornalista e técnico João Saldanha a perfeita campanha nas eliminatórias sob seu comando para a Copa de 1970. Ele foi demitido no dia 17 de março, a dois meses e meio da estreia no torneio. Saldanha foi declarado "emocionalmente incapacitado" para continuar no cargo. Mas havia outro grande motivo para tirá-lo do cargo. "Ele não deu importância a Pelé, disse que não estava em condições por ser míope", afirmou à AFP o jornalista mexicano Teodoro Cano, que cobriu esse mundial.

Contra João Saldanha também pesava o fato de ser filiado ao Partido Comunista, algo desconfortável para a ditadura militar que governava o Brasil na época. Dois dias após a saída de Saldanha, o escolhido foi Mário Jorge Lobo Zagallo, bicampeão mundial como jogador em 1958 e 1962. Sua chegada dividiu opiniões. Para alguns, ele foi o treinador ideal para conquistar a Copa. Outros previram que ele não levaria o Brasil nem às quartas de final.

Tendo o estádio Jalisco de Guadalajara como sua base, o Brasil fazia parte do chamado "Grupo da Morte", o C, com Tchecoslováquia, Inglaterra e Romênia. Sem se preocupar com o jogo duro de seus adversários, a seleção buscava cumprir a promessa de seu treinador: "O Brasil veio para jogar futebol". E assim fizeram os jogadores, com toques precisos, ritmo cadenciado, jogadas fantásticas e muitos gols. "Se o Brasil sofresse um gol, ia lá e marcava dois ou mais; se sofresse dois gols marcava três ou mais", lembra Teodoro Cano que cobriu esse Mundial para o jornal El Heraldo do México.

O Brasil fez uma fase de grupos perfeita com suas vitórias sobre a Tchecoslováquia por 4 a 1, 1 a 0 contra a Inglaterra e 3 a 2 sobre a Romênia.

Depois de enfrentar o bloco europeu, os craques brasileiros tinham pela frente dois adversários sul-americanos difíceis. Nas quartas de final, o adversário era o Peru, que tinha destaques como Hugo Sotil, Teófilo Cubillas, Pedro León e Alberto Gallardo. Os peruanos eram comandados pelo lendário Didi, ex-companheiro de Zagallo no Botafogo e nas seleções que conquistaram o bicampeonato mundial em 1958 e 1962, e que ficou com lágrimas nos olhos após a derrota do Peru por 4 a 2.

Uma controvérsia surgiu nas semifinais. O Brasil teria que se deslocar para jogar no estádio Azteca na Cidade do México (2.200 metros de altitude) para enfrentar o Uruguai, mas pediu para ficar em Guadalajara (1.500 metros) e a Fifa cedeu, apesar dos fortes protestos da delegação uruguaia.

A partida acabou sendo disputada no estádio Jalisco. O Uruguai foi melhor no primeiro tempo e abriu o placar, mas o Brasil partiu para cima, empatou antes do intervalo e venceu por 3 a 1 no segundo tempo em meio a vários atritos entre os jogadores. "A mudança de estádio propiciou a derrota", disse Juan Hogbergh, técnico da Celeste. "Na Cidade do México, o resultado teria sido diferente", acrescentou.

Escrito por:

AFP