Publicado 19 de Junho de 2020 - 20h02

Por AFP

Na Colômbia, três anos após a assinatura da paz, grupos armados ilegais continuam recrutando menores, alertou nesta sexta-feira (19) uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que apontou para "altos níveis de hostilidade" no país.

"A persistência do recrutamento forçado de crianças e adolescentes é alarmante", disse Roberto Menéndez, chefe da Missão da OEA de Apoio ao Processo de Paz na Colômbia (MAPP / OEA).

Ao apresentar o relatório no último semestre de 2019 perante o Conselho Permanente da OEA, Menéndez também indicou que "a instalação de minas antipessoal e dispositivos explosivos improvisados, sequestros, violência sexual, confinamento e deslocamento" geraram "impactos profundos" nas comunidades indígenas, afrodescendentes e camponesas.

Bogotá selou a paz em novembro de 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), agora dissolvidas.

Mas o país ainda está enfrentando um conflito armado que em mais de meio século milhares de mortos e desaparecidos.

No país sul-americano, o principal produtor mundial de cocaína, não apenas ex-dissidentes das Farc e gangues criminosas como a Clã do Golfo / AGC operam, mas também rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN), o último grupo guerrilheiro ativo reconhecido no país.

De acordo com a MAPP / OEA, que realizou mais de 1.200 missões de monitoramento, as ações para expandir o controle territorial dos grupos armados ilegais afetaram áreas nas regiões oeste, noroeste e centro-sul do país, bem como as que fazem fronteira com a Venezuela (Catatumbo, Arauca) e com o Equador (Pacífico Nariñense, Putumayo).

Nessas regiões, ainda existem áreas afetadas por economias ilícitas, violência e crime, com a ausência ou fraca presença do Estado.

O relatório aponta que o ELN usa espaços escolares para "induzir ou obrigar" os alunos a ingressar na organização.

Também mostra o recrutamento forçado de menores pelo ELN e de dissidentes das Farc em reservas indígenas e comunidades negras.

Os meninos são usados para atividades de vigilância, cobrança de taxas de extorsão, transporte e atividades do tipo militar.

No caso dos povos indígenas, os grupos armados ilegais aproveitam seu conhecimento do terreno para usá-los como "anéis de segurança", o que os deixa mais expostos às operações policiais.

Meninas e adolescentes desempenham papéis como recrutadores de outros menores e são vítimas de exploração e agressão sexual.

A missão mostrou "preocupação" que a inclusão de menores nas fileiras de grupos armados ilegais seja percebida como "voluntária" e não como uma violação de seus direitos.

Menéndez apelou a uma abordagem "urgente" de todos os limites da "narcoatividade", que ele considerou "um dos motores da violência na Colômbia".

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