Publicado 19 de Junho de 2020 - 18h52

Por AFP

O prefeito republicano de Tulsa anulou o toque de recolher que havia declarado deste a última quinta-feira com intuito de evitar distúrbios nesta cidade do estado de Oklahoma, que no sábado receberá um comício eleitoral de Donald Trump, segundo anúncio do próprio presidente.

"Acabo de falar com o muito respeitado prefeito de Tulsa, G.T. Bynum, que me informou que não haverá toque de recolher nesta noite nem amanhã para que nossos eleitores possam participar do compromisso eleitoral", escreveu no Twitter o presidente americano, que busca a reeleição em 3 de novembro.

"Divirtam-se. Obrigado, prefeito Bynum!", acrescentou Trump.

O toque de recolher, que valia apenas para a área onde o presidente fará seu comício, teve início na quinta à noite e duraria até domingo de manhã, com interrupção apenas durante o comício.

A decisão municipal forçou dezenas de apoiadores de Trump que há dias estavam na fila para estar na primeira fila do evento a recolherem suas barracas e se mudarem para uma área autorizada.

Para justificar o toque de recolher, o prefeito Bynum afirmou ter informações sobre a possível chegada de "indivíduos de grupos organizados que foram envolvidos em episódios violentos e destrutivos em outros estados" à cidade.

Stephen Corley, um apoiador de Trump de 19 anos, esperava com os outros na chuva. Afirmou estar mais preocupado com os protestos dos "esquerdistas extremistas" e "causadores de problemas" do movimento Black Lives Matter do que com a COVID-19.

Como quase todos os presentes, o jovem não usava máscara, embora garantisse que o faria durante o evento com Trump, caso seja obrigatório.

"Não vou perder a oportunidade da minha vida... Ver Trump por me recusar a usar uma máscara", acrescentou o jovem.

O próprio presidente havia alertado no Twitter sobre os "manifestantes, anarquistas, assaltantes e criminosos que vão para Oklahoma".

"Devem entender que não serão tratados como em Nova York, Seattle ou Minneapolis. Será muito diferente!", escreveu o presidente, referindo-se aos protestos por vezes violentos que ocorreram recentemente nessas cidades.

Espera-se que mais de 100.000 pessoas viajem para Tulsa entre sexta e sábado.

Trump havia escolhido a data de 19 de junho, simbólica porque comemora o fim da escravidão nos Estados Unidos em 1865, para realizar o comício. No entanto, ele adiou para o sábado por causa das críticas recebidas.

Em Tulsa ocorreu um dos piores massacres raciais da história do país, nos quais 300 afro-americanos foram massacrados por uma multidão branca em 1921.

Este ano, a memória do fim da escravidão surge no contexto de fortes tensões raciais após a morte de vários americanos negros durante operações policiais.

cyj-ban/dax/gma/yow/bn/mvv

Escrito por:

AFP