Publicado 19 de Junho de 2020 - 17h02

Por AFP

A quatro meses e meio das eleições presidenciais nos Estados Unidos, Donald Trump vê estremecer um dos principais argumentos de sua campanha de reeleição: de que os tribunais estavam ancorados em posições conservadoras.

Nesta semana, decisões da Suprema Corte - que tem dois dos nove membros nomeados por Trump - complicou suas expectativas em questões sensíveis ao seu eleitorado: os direitos das minorias sexuais e a imigração.

"Acho que isso pode ser crítico para a campanha dele", disse o especialista em direito da Universidade de Richmond, Carl Tobias.

O acadêmico explicou que muitas pessoas votaram em Trump por sua prerrogativa de nomear juízes. "Mas esta semana mostrou que a promessa não pode ser cumprida", disse ele.

Em 2016, o magnata de Nova York e apresentador de televisão se comprometeu com a direita religiosa - que era inicialmente cética em relação à sua figura midiática e por ser divorciado - a nomear juízes conservadores em todo o sistema judicial federal.

E o mais importante, Trump prometeu colocar na Suprema Corte juízes contrários ao direito ao aborto e a favor do porte de armas.

Desde sua eleição, Trump conseguiu, graças à maioria republicana no Senado, confirmar a nomeação de 195 juízes no total de 860 posições disponíveis em todo o país, segundo o portal oficial do Centro Judicial Federal.

Além disso, a Casa Branca celebra que esses magistrados têm uma idade média inferior a 50 anos, o que garante um impacto de várias décadas nas decisões dos tribunais.

O Senado confirmou na quinta-feira um de seus candidatos, Justin Walker, de 37 anos, como magistrado do Tribunal Federal de Apelações em Washington, uma das cortes mais influentes do país, apesar das reservas da oposição sobre sua falta de experiência e proximidade com o Partido Republicano.

Trump destaca esses números com orgulho e brinca que apenas George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, teve um desempenho melhor, com 100% das nomeações.

Em campanha, ele costuma elogiar dois juízes "formidáveis" que entraram para a Suprema Corte em seu mandato.

Mas um deles, Neil Gorsuch, uniu-se ao presidente da Corte, o conservador moderado John Roberts, na segunda-feira, ao votar junto com juízes progressistas para proteger os direitos dos trabalhadores homossexuais e transgêneros da discriminação, ao contrário da postura do governo.

Ao mesmo tempo, o Tribunal rejeitou um recurso do governo para estender o direito de porte de armas e penalizar as chamadas "cidades-santuário", que se recusam a cooperar com a polícia de imigração.

Na quinta-feira, John Roberts novamente se uniu aos progressistas para bloquear a tentativa do governo de derrubar o programa que protege os "dreamers" da deportação. O grupo de 700.000 jovens que vieram para os Estados Unidos ilegalmente quando crianças se encontra em um limbo legal.

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