Publicado 19 de Junho de 2020 - 16h12

Por AFP

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, alertou os europeus nesta sexta-feira (19) sobre os riscos de uma "dependência" da China que, segundo ele, ameaça as democracias ocidentais.

Em suas primeiras reflexões públicas desde sua conversa a portas fechadas com a autoridade chinesa Yang Jiechi no Havaí, Pompeo manteve seu posicionamento de denunciar Pequim como um "ator desonesto", empenhado em alcançar a dominação mundial.

"O partido comunista chinês quer nos obrigar a escolher" entre os Estados Unidos e a China, disse durante um discurso virtual na cúpula da democracia em Copenhague.

"Não podemos abarcar essas alternativas sem abandonar o que somos. As democracias que dependem de autoritarismos não são dignas do seu nome", disse Pompeo na Dinamarca, em videoconferência.

Na mesma linha, assegurou ter dito a Yang que os EUA estavam vigiando de perto as ações da China, incluindo seu recente e mortal confronto fronteiriço com a Índia.

"Os Estados Unidos estão se envolvendo em uma resposta à agressão do Partido Comunista chinês de uma maneira que não o fez nos últimos 20 anos ", declarou Pompeo fazendo referência à abordagem adotada pelo governo do presidente americano, Donald Trump.

Pompeo reiterou os apelos aos europeus para que evitem a gigante chinesa de telecomunicações Huawei, considerada por ele um braço do "estado de vigilância" comunista.

Também disse que Pequim "ataca flagrantemente a soberania" através de seus investimentos portuários na Grécia e Espanha.

"Precisamos tirar as vendas e ver que o desafio da China (...) está em todas as capitais", afirmou. "Todo investimento de uma empresa estatal chinesa deve ser visto com desconfiança".

Pompeo se mostrou especialmente crítico na avaliação da resposta chinesa à epidemia de coronavírus.

Em seu discurso em Copenhague, acusou Pequim de "mentir sobre o coronavírus e deixar que se espalhasse pelo resto do mundo".

A China, assim como críticos de Trump nos EUA, afirma que o governo americano procura bodes expiatórios para esconder suas próprias falhas na resposta à COVID-19, que matou mais pessoas nos EUA do que em qualquer outra nação do mundo.

Pompeo também renovou suas críticas à China sobre um projeto de lei de segurança em Hong Kong e sobre a prisão em massa de um milhão de uigures e outros muçulmanos turcos, classificando essas prisões como "uma violação aos direitos humanos em uma escala não vemos desde a Segunda Guerra Mundial".

Outra preocupação de Pompeo esteve centrada na conversa virtual de segunda-feira entre a China e os 27 ministros das Relações Exteriores da UE.

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