Publicado 19 de Junho de 2020 - 15h32

Por AFP

Os 27 mandatários da União Europeia (UE) concordaram nesta sexta-feira (19) com uma nova reunião em julho para superar as diferenças sobre o seu plano que busca salvar os países da profunda recessão causada pela pandemia de coronavírus.

"Hoje há um consenso emergente, que é muito positivo, mas ao mesmo tempo não subestimamos as dificuldades", assegurou o chefe do Conselho Europeu, Charles Michel, após o término de um cúpula virtual de cinco horas.

Enquanto a COVID-19, que deixou mais de 190 mil mortos na Europa, parece remeter, Michel lançou a ideia de convocar uma reunião presencial em Bruxelas em meados de julho para tentar facilitar um acordo.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, advertiu que a situação do mercado trabalhista vai piorar, de acordo com o seu ambiente.

"Quanto mais rápido o pacote for acordado, melhor para a economia da UE", disse Legarde. As últimas previsões da Comissão Europeia preveem uma contração de 7,4% do PIB da UE em 2020 por conta da crise do novo coronavírus.

O caminho está cheio de obstáculos. A base de discussão é o plano da Comissão de tomar emprestado nos mercados cerca de 750 bilhões de euros (844 bilhões de dólares) em nome da UE para financiar a recuperação.

Estes fundos serão repartidos entre os países mediante a subsídios (meio bilhão de euros) e empréstimos (250 bilhões). A UE em seu conjunto se encarregaria de devolver o dinheiro das primeiras ajudas e não o país beneficiado.

"Ninguém questiona que a Comissão Europeia emita a dívida", afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, cujo o país assumirá a presidência temporária da UE em julho. "As pontes que devemos construir são grandes", disse.

Segundo os primeiros cálculos realizados por fontes comunitárias, Itália e Espanha, muito golpeadas pela crise sanitária e econômica pelo novo coronavírus, serão os principais países beneficiados, seguidos de Polônia e a França.

O foco está principalmente na Holanda, Áustria, Suécia e Dinamarca, os quatro países apontados como "frugais" e adeptos ao rigor fiscal, que se mostram hesitantes com o plano por seu volume de subsídios.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, questionou a possibilidade de se chegar a um acordo em julho. "É duvidoso que seja acordado para essas datas ou precisaremos de mais sessões" no verão ou mesmo "mais tarde", garantiu.

Seu colega austríaco, Sebastian Kurz, alertou por sua parte que era contra a permanência da dívida e, em sua opinião, afirma que a ajuda aos países deve ser "pontual" e "limitada no tempo", segundo a agência APA.

Para pagar a principal dívida por 30 anos a partir de 2028, Bruxelas propõe a criação de novos impostos, como o digital, grandes empresas ou do carbono na fronteira para importações poluentes, entre outros.

A discussão do fundo de recuperação se soma à complexa discussão sobre o futuro orçamento comum da UE para o período de 2021-2027, ao qual será vinculado, e que resultou em um fracasso no final de fevereiro.

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