Publicado 19 de Junho de 2020 - 13h23

Por AFP

O lendário cantor folk americano Bob Dylan lançou nesta sexta-feira (19) seu primeiro álbum com músicas originais em oito anos, "Rough and Rowdy Ways".

O 39º álbum de estúdio de Dylan tem 10 novas músicas, incluindo "Murder most foul", uma balada de 17 minutos sobre o assassinato de John F. Kennedy, além de uma homenagem ao músico de blues Jimmy Reed.

"Rough and Rowdy Ways" é o primeiro material novo do Prêmio Nobel de Literatura desde o lançamento de "Tempest" em 2012, embora tenha lançado vários covers nesse meio tempo.

O músico combina blues com histórias de folk, sua voz rouca entoando letras que vão do humor negro à desolação turbulenta.

Às vezes é quente, às vezes cáustico.

Na primeira música do álbum, "I Contain Multitudes", o músico de 79 anos fala sobre a mortalidade e como ele dorme na mesma cama "com a vida e a morte".

Em uma entrevista recente ao The New York Times, Dylan disse que não pensa em sua própria morte, mas na morte da humanidade como espécie.

"Penso na morte da raça humana. A longa e estranha jornada do macaco nu. Não quero tratá-la com leviandade, mas a vida de todos é tão efêmera. Todo ser humano, por mais forte ou poderoso que seja, é frágil quando se trata da morte. Penso em termos gerais, não de maneira pessoal", afirmou.

As músicas atravessam a cultura pop do século XX, falam de mitos e se referem a figuras ficcionais e históricas, algumas leves, outras trágicas.

Em "I Contain Multitudes", Dylan cita Indiana Jones, Anna Frank e The Rolling Stones no mesmo verso.

"Murder Most Foul", lançada originalmente em março, relata o assassinato do presidente Kennedy em Dallas, Texas, em 1963, enquanto descreve a contracultura da década de 1960.

A música, que chegou ao topo da parada da Billboard, traz os nomes de vários artistas, incluindo The Eagles, Charlie Parker, Stevie Nicks e Beatles.

As músicas mais populares de Dylan dos anos 1960 e 1970 falam sobre brutalidade policial e racismo, como "Hurricane". Agora, o músico menciona o massacre racial de Tulsa, Oklahoma, em 1921, quando turbas de brancos atacaram residentes e comerciantes negros por dois dias.

Há também uma referência ao "homem pássaro de Alcatraz", um dos assassinos em série mais famosos dos Estados Unidos.

Em "False Prophet", a segunda música do álbum, de seis minutos, Dylan parece arrogante, sem remorsos ao se referir à sua própria mitologia. "Eu não sou um falso profeta", diz.

Dylan, que recebeu a Medalha da Liberdade em 2012 do presidente Barack Obama, quase sempre esteve em turnê nas últimas três décadas, apesar de sua idade avançada.

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